Falta de testes deve se normalizar quando demanda nos EUA cair, diz Abramed

Diretor da associação afirmou à CNN Brasil que retomada de envio de insumos depende de redução de demanda em grandes consumidores

Duda Cambraia*João Pedro Malarda CNN

em São Paulo

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Os laboratórios e farmácias no Brasil passaram a enfrentar uma falta de testes para Covid-19 em um momento de alta de casos, com a disseminação da variante Ômicron. A tendência é que a normalização ocorra apenas quando a demanda de testes diminuir em grandes consumidores, em especial os Estados Unidos.

A avaliação foi feita por Alex Galoro, diretor do comitê de análises clínicas da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) em entrevista à CNN Brasil neste sábado (15).

“Atualmente, a demanda é muito alta nos Estados Unidos, um grande consumidor dos testes, mas já começa a dar alguns sinais de diminuição no número de casos. Caindo o consumo lá, provavelmente a gente volta a receber mais testes, e isso possa se normalizar ou pelo menos diminuir esse desabastecimento já nas próximas semanas”, afirma.

“Como já tinha tendo a mesma onda da Ômicron nos outros países que são os exportadores dos testes, como o Reino Unido e Estados Unidos, na hora que fomos repor os estoques houve uma dificuldade junto aos fornecedores, que começaram a fracionar entregas e ficar com uma quantidade pequena”.

A análise, segundo ele, se baseia na tendência observada no Reino Unido e na África do Sul, que atingiram um pico de casos em cerca de dois meses e então passaram a registrar redução nos números, com normalização na demanda de testes.

Entretanto, isso significa que ainda haverá problemas na testagem por algum tempo. “A gente falou bastante da necessidade de testagem para fazer um controle da pandemia, e a gente precisa voltar atrás e falar que é preciso um certo cuidado, racionalização no uso dos testes”, diz.

“O que falta é o reagente, o próprio teste, a tira do teste. Sem eles, a gente não consegue processar as amostras. O que a gente tem da situação é que é um pouco variável, cada laboratório tem o seu controle de estoque, pode ter maior ou menor quantidade, pode ter teste em um laboratório ou outro, na necessidade, vale procurar”.

Apesar disso, a recomendação da Abramed é que os laboratórios priorizem a realização de testes apenas de pessoas que pertencem a grupos de risco para a doença, possuem casos graves, estejam hospitalizadas ou precisem realizar alguma cirurgia.

“Temos sugerido que as pessoas que tiveram contato [com alguém que testou positivo] ou estão com sintomas leves, que já estejam vacinadas e não sejam do grupo de risco, não façam a testagem nesse momento”, afirma Galoro.

O diretor da Abramed afirma que a falta de testes é generalizada, tanto em cidades grandes quanto pequenas. Ao mesmo tempo em que faltam testes, o número de resultados positivos aumentou.

A Abramed representa cerca de 65% dos exames realizados na área de saúde suplementar, e teve um aumento de praticamente 100% do número de testes realizados da metade de dezembro até agora. “A positividade subiu de cerca de 7% no início de dezembro para mais de 40% atualmente, a demanda realmente é alta”, diz.

Para Galoro, o investimento e apoio para formação de uma indústria nacional que consiga produzir os insumos dos testes, a maioria importada atualmente, “seria uma coisa a se pensar”.

“Temos poucas indústrias nacionais que fazem, a própria Fiocruz oferece alguns testes rápidos, mas é uma quantidade insuficiente para atender esse mercado”, afirma.

Já sobre a chance de um teste dar falso positivo, o diretor diz que esse tipo de erro é “muito menos frequente que o falso negativo. O falso negativo depende de coleta, transporte, e isso também é um medo em relação à autotestagem, que tem sido sugerido, porque a coleta é imprescindível, e se não tiver cuidado, fizer muito superficial, tem esse risco”.

Apesar da Abramed ser favorável aos autotestes, ele afirma que é necessário orientar bem a população sobre a realização. Além disso, no momento atual, os autotestes poderiam estar em falta também, ou piorar a falta em laboratórios, já que os reagentes usados são os mesmos.

“Se disponibilizar direto para o paciente, vai haver uma concorrência e pode gerar falta ou para o paciente ou para o laboratório. A gente não é contra o autoteste, sabe da importância, mas a gente sugere que haja uma discussão sobre os critérios de validação, orientações para a realização do teste”, diz.

Confira orientações do Ministério da Saúde diante do diagnóstico de Covid-19

 

 

*(Sob supervisão de Elis Franco)

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