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    Baratas: o que se sabe e o que é incerto sobre uma das pragas mais odiadas do mundo

    Para evitar a proliferação de baratas, é fundamental a manutenção de ambientes limpos

    Estudos de fósseis de baratas demonstram que estes insetos mudaram pouco ao longo da evolução
    Estudos de fósseis de baratas demonstram que estes insetos mudaram pouco ao longo da evolução Yuji Sakai/Getty Images

    Lucas Rochada CNN em São paulo

    Um dos insetos mais odiados em todo o mundo, as baratas são cosmopolitas, encontrando-se nos mais diversos ambientes pelo planeta. A maior parte das espécies é de origem tropical ou subtropical.

    As baratas domésticas são aquelas que vivem dentro de residências e outras estruturas construídas pelos humanos ou ao redor desses locais, incluindo anexos, como caixa de gordura, esgoto, bueiros e outros locais úmidos e escuros.

    Os estudos de fósseis de baratas demonstram que estes insetos mudaram pouco ao longo da evolução. Por isso, ela é considerada uma das espécies de maior capacidade de adaptação e resistência do reino animal, podendo adaptar-se às mais variadas condições do meio ambiente.

    Embora sejam consideradas repugnantes, as baratas são insetos de importância médica reduzida, quando comparadas a outros insetos transmissores de doenças.

    Diferentemente de mosquitos, as baratas não carregam agentes causadores de doenças dentro do corpo, mas podem transportar bactérias e outros microrganismos nocivos devido à circulação por diversos tipos de locais sujos.

    Pragas urbanas

    O interesse científico pelas baratas é relativamente recente. A barata de esgoto é usada em escolas e universidades como modelo de estudo sobre anatomia e fisiologia de insetos, na entomologia.

    Além disso, elas desempenham um papel expressivo na compreensão de mecanismos de resistência a inseticidas, sendo mantidas em laboratório para estudos, com esta finalidade, desde a década de 1940.

    Além do interesse científico, tais insetos apresentam um significativo potencial de transmissão de microrganismos causadores de doenças, pois carregam estes agentes de locais contaminados, como lixo e esgoto, para alimentos e utensílios usados pelos humanos.

    Os microrganismos contidos no substrato que aderem ao corpo das baratas, principalmente em pelos e cerdas das pernas, são transportados mecanicamente de um ponto sujo a outro limpo. Ocorre também a transmissão mecânica, através dos dejetos liberados pelas baratas.

    Há pouco tempo, seu papel como vetor de agentes de doenças era questionável, pois alegava-se que as baratas representavam apenas um fator a mais em um ambiente sem saneamento, com outras causas básicas para a ocorrência de doenças. Hoje, contudo, com base em alguns eventos epidemiológicos, as baratas já figuram como intermediário relevante em surtos de diarreia e estão, cada vez mais, relacionadas a ocorrências de alergias.

    Para evitar a proliferação de baratas, é fundamental a manutenção de ambientes limpos. Evite deixar alimentos à mostra na cozinha e restos de comida no chão. Os ralos devem ser vedados ou fechados. O uso de inseticidas pode ser uma alternativa pontual no caso de poucas baratas. Diante de uma infestação, pode ser necessário acionar um serviço de dedetização especializado.

    Diferentes tipos de barata

    O formato e o tamanho variam dependendo da espécie. Em algumas espécies os machos apresentam asas, enquanto as fêmeas não.

    As antenas desempenham um papel fundamental na sobrevivência do inseto, servindo não apenas como elemento de direção, mas também para captar vibrações no ar ou
    ainda cheirar alimentos ou feromônios.

    O aparelho bucal é mastigador, possibilitando roerem papéis, roupas sujas de alimentos, pelos, pintura, mel, pão, carne, batatas e gorduras. Algumas se alimentam de madeira (celulose). São particularmente atraídas por alimentos doces, gordurosos e de origem animal. No entanto, podem se alimentar de queijos, cerveja, cremes, produtos de panificação, colas, cabelos, células descamadas da pele, cadáveres e matérias vegetais.

    Embora não sejam animais sociais, como as abelhas, cupins e formigas, as baratas podem ser encontradas em grupos. Baratas são animais de hábitos noturnos, quando saem do abrigo para alimentação, reprodução, colocar ovos e voar. Durante o dia, elas ficam abrigadas da luz e da presença de pessoas. Algumas condições especiais contribuem para o seu aparecimento diurno, tais como excesso de população e falta de alimento ou água.

    Conheça diferentes espécies de baratas, de acordo com a cartilha do Laboratório de Biodiversidade Entomológica do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

    Francesinha

    A barata francesinha (Blattella germanica) é encontrada em ambientes internos, com áreas úmidas e quentes, em torno de 32°C, preferindo fendas próximas a fontes de alimento e água em banheiros e cozinhas.

    É pequena, chegando a medir de 1,2 a 1,5 cm de comprimento, de cor castanha a negra. Tem um período de desenvolvimento ninfal de 6 a 12 semanas, e vive de 6 a 9 meses. Não costuma voar, mesmo possuindo asas.

    Oriental

    A barata oriental (Blatta orientalis) prefere alimento em decomposição, é tolerante ao frio e prefere áreas úmidas com temperaturas abaixo de 29°C. É frequentemente
    encontrada em casca e folhas de árvores caídas no entorno das construções.

    De coloração castanho-escura a negra, uma característica marcante da espécie é o seu o macho mede aproximadamente de 1,8 a 2,9 cm de comprimento, com par de asas que cobrem dois terços do abdome e corpo estreito.

    A fêmea, por sua vez, mede cerca de 2 a 2,7 cm de comprimento, tem asas pequenas e incolores e corpo mais volumoso. O macho é capaz de realizar voos curtos, com distâncias entre 2 a 3 metros.

    De esgoto

    A conhecida barata de esgoto (Periplaneta americana) requer uma fonte de água e prefere alimentos fermentados. Ela pode ser encontrada em esgotos e porões, particularmente em torno de ralos e canos.

    Preferem temperaturas em torno de 29°C e não toleram frio. São castanho-avermelhadas e grandes, medindo aproximadamente de 3,4 a 5,3 cm, com asas longas, embora não sejam voadores muito bons.

    (Com informações do Jornal da USP)