Baricitinibe tenta bloquear ações inflamatórias do vírus, explica infectologista

Medicamento foi aprovado pela (Anvisa) nesta sexta-feira (17) para o tratamento de pacientes internados com Covid-19

Produzido por Henrique Andradeda CNN

em São Paulo

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta sexta-feira (17) a indicação do remédio baricitinibe para o tratamento de pacientes internados com Covid-19.

Segundo a agência, a administração do medicamento deve ser feita apenas em pacientes adultos hospitalizados que necessitam de oxigênio por máscara ou cateter nasal, ou que necessitam de alto fluxo de oxigênio ou ventilação não invasiva. Por enquanto a medicação só está disponível na rede de saúde privada.

Em entrevista à CNN, a infectologista da Rede D’or, Raquel Muarrek, explicou que o remédio atua no combate das inflamações desencadeadas pelo novo coronavírus.

“Como todas as novidades em relação ao tratamento [da Covid-19], esta é uma medicação para tentar diminuir ou bloquear as ações inflamatórias do vírus. Então, a gente tem um arsenal de drogas, como por exemplo, o tofacitinibe. São várias que têm no mercado indicadas para o tratamento de Covid-19 moderada à grave.”

Muarrek destaca, contudo, que a droga é de uso restrito ao ambiente hospitalar, não podendo ser adquirida e ingerida sem análise e indicação médica. É preciso estudar o contexto do paciente e em qual frente inflamatória ele se encontra antes de indicar uma das drogas.

“Precisa muito ter uma análise imunológica deste paciente para indicar corretamente qual medicação e qual bloqueio inflamatório fazer. Não é tão simples, e não é um medicamento para qualquer paciente.”

A médica explica que o baricitinibe é usado para outros tipos de doença no Brasil. “Ele é para artrite moderada, dermatite atópica grave. A maioria dos arsenais de bloqueadores de inflamação é usada em tratamentos reumatóides”. Dentre eles, já há alguns remédios endovenosos, mas também os de via oral, em comprimido, que é o caso deste aprovado pela Anvisa.

A entrada ou não para o Sistema Único de Saúde (SUS), na visão da médica, depende “do que pode ser feito, do ponto de vista laboratorial e clínico, e de acordo com a resposta de cada trabalho mostrando realmente a sua real necessidade nos casos moderado e grave.”

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