Bolsonaro é o líder que mais ameaça vidas ao minimizar coronavírus, diz jornal

Em editorial, publicação norte-americana ‘The Washington Post’ coloca o presidente brasileiro ao lado de líderes de Belarus, Turcomenistão e Nicarágua

Jornal ‘The Washington Post’ colocou Bolsonaro ao lado de líderes que minimizam impacto do novo coronavírus
Jornal ‘The Washington Post’ colocou Bolsonaro ao lado de líderes que minimizam impacto do novo coronavírus Foto: Adriano Machado - 13.abr.2020/ Reuters

Da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro é o líder que mais ameaça seus cidadãos ao minimizar a gravidade da pandemia do novo coronavírus afirmou, na terça-feira (14), o jornal norte-americano “The Washington Post” em editorial.

“De longe, o caso mais grave de má administração é o do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Quando as infecções começaram a se espalhar em um país de mais de 200 milhões de pessoas, o populista de direita chamou o coronavírus de uma “gripezinha” e instou os brasileiros a ‘enfrentar vírus como homem e não como moleque’. Pior, o presidente tentou repetidamente diminuir as medidas tomadas pelos 27 governadores para conter o surto”, escreveu a publicação.

O Post colocou o presidente brasileiros ao lado dos líderes de Belarus, Turcomenistão e Nicarágua. “Bielorrússia e Nicarágua ainda estão praticando esportes profissionais; o homem-forte de Belarus, Alexander Lukashenko, aconselhou as pessoas a evitar contrair a COVID-19 indo frequentemente a saunas e bebendo vodca. O caso do ditador nicaraguense Daniel Ortega ainda é estranho: ele não é visto nem ouvido em público há um mês.”

De acordo com o diário, entre as medidas erráticas tomadas por Bolsonaro estão o decreto para impedir que estados restringissem a movimentação de pessoas e a tentativa de retirar igrejas e lotéricas da quarentena – ambas medidas questionadas em tribunais do país. “Mas o presidente continuou a campanha contra o distanciamento social; outra ordem judicial foi necessária para interromper uma campanha publicitária que ele lançou sob um slogan ‘O Brasil não pode parar’”, afirmou a junta editorial.

Na opinião do jornal, essa postura de Bolsonaro é um dos fatores que levou ao rápido aumento de infectados e de mortos no Brasil. “Epidemiologistas preveem que o pico de infecções e mortes ainda está por vir, graças ao relaxamento no distanciamento social incentivado por Bolsonaro”, completou o ‘Post’.

“Embora os Estados Unidos estejam longe de liderar os esforços mundial para parar o vírus, o desempenho melhorou desde que o presidente [Donald] Trump mudou sua própria retórica minimizadora no mês passado e apoiou os esforços de contenção recomendados pelos profissionais de saúde. Ele poderia fazer um grande favor ao Brasil telefonando para Bolsonaro, que tem sido um aliado político, e instando-o a fazer o mesmo”, concluíram os editorialistas.

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