Brasil tem vacinas para imunizar 3,3% de sua população contra a Covid-19

Até o momento, país recebeu pouco mais de 12 milhões de doses dos imunizantes contra o novo coronavírus; novas remessas devem chegar ao país em fevereiro

A enfermeira Lídia Rodrigues Dantas (D) foi a primeira pessoa vacinada contra Covid-19 no Distrito Federal
A enfermeira Lídia Rodrigues Dantas (D) foi a primeira pessoa vacinada contra Covid-19 no Distrito Federal Foto: Tony Winston - 19.jan.2021/Ministério da Saúde

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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O governo brasileiro já recebeu cerca de 12,1 milhões de doses de vacinas contra o novo coronavírus, considerando as doses da Coronavac e da vacina de AstraZeneca/Fiocruz.

De acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira era de 211,2 milhões pessoas no 3º trimestre de 2020. Desta forma, as doses em posse de Ministério da Saúde, até o momento, são suficientes para imunizar apenas 3,3% dos brasileiros (7,05 milhões de pessoas).

Isso porque a Coronavac precisa de duas doses para garantir a efetiva proteção contra a Covid-19 – portanto, seria possível imunizar 5,05 milhões de pessoas –, mas a vacina da Fiocruz pode ser aplicada como um um imunizante de dose única ou com um intervalo maior entre as doses – o que permitiria imunizar usar todas suas 2 milhões de pessoas.

Apesar de a Universidade de Oxford/AstraZeneca recomedar a aplicação em duas doses da vacina, o Ministério da Saúde e a Fiocruz, que produz o imunizante no Brasil, estudam essas duas possibilidades de uso

No caso da imunização em duas doses, seria adotado um intervalo de três meses, mesmo tempo entre a primeria a segunda dose seguido no Reino Unido. Isso permitiria imunizar o maior número possível de brasileiros em curto período, enquanto o governo negocia a chegada de novos lotes do imunizante ou de seu princípio ativo para a produção nacional.

Já a imunização em uma dose garantiria uma eficácia de, ao menos, 73%. “Segundo os estudos clínicos, com uma dose, a vacina alcança 73% de eficácia e 82% de eficácia após a segunda dose, com um intervalo de 12 semanas entre elas”, disse a Fiocruz, na sexta-feira (22), ao jornal O Estado de S. Paulo.

Imunização entre o público-alvo

De acordo com a autorização de uso emergencial emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tanto a vacina do Instituto Butantan quanto a da Fiocruz só podem ser aplicadas em pessoas com mais de 18 anos já que esse foi o público-alvo de ambos estudos no país.

Esse recorte da população brasileira, segundo dados do IBGE, é composto por 162,8 milhões de brasileiros. Portanto, o país já tem capacidade de imunizar 4,3% do público-alvo dessas vacinas.

Vale lembrar que crianças, gestantes e lactantes não são vacinados.

As vacinas disponíveis no país

O lote inicial de vacinas em uso no Brasil é composto por 10,1 milhões de doses da Coronavac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e pela chinesa Sinovac, e de 2 milhões da vacina de Oxford, aplicada no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O primeiro lote da Coronavac, com pouco mais de 6 milhões de doses, e a totalidade de doses da vacina da Fiocruz foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para uso emergêncial no domingo (17).

Já o segundo lote da Coronavac, com 4,1 milhões de unidades, recebeu o aval da agência reguladora na sexta-feira (22). Essa aprovação de uso emergencial também é válida para outras doses que serão envasadas no país.

Vale ressaltar que Ministério da Saúde considera que pode haver uma perda de até 5% das doses durante a operação.

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