“Bumbum de cadeira”: passar longos períodos sentado pode achatar o glúteo?

Médica explica que expressão é associada ao conjunto da rotina, e não apenas a uma simples questão de ficar algumas horas sentado em uma cadeira

Helena Barra, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Ficar muito tempo sentada pode “achatar” o glúteo? Com o home office, horas em frente ao computador, trânsito e uma rotina em que boa parte do dia acontece sentada, o chamado “bumbum de cadeira” ganhou espaço como uma forma popular de descrever a sensação de glúteos mais “apagados”.

Apesar do nome, não se trata de um diagnóstico médico, mas a expressão ajuda a chamar atenção para um comportamento cada vez mais comum.

A lógica está na própria função da musculatura. O glúteo máximo é bastante solicitado em movimentos como caminhar, levantar, subir escadas e estender o quadril, mas trabalha muito menos durante longos períodos em posição estática.

Por isso, mais importante do que contar quantas horas alguém passa em uma cadeira é observar quanto essa pessoa se movimenta no restante do dia. Quando a rotina sedentária vem acompanhada de pouca atividade física e ausência de fortalecimento, a musculatura pode perder condicionamento, o que interfere na percepção de volume, projeção e firmeza da região.

A ciência também ajuda a entender o que acontece enquanto estamos sentados. Estudos de imagem mostram que os tecidos dos glúteos sofrem compressão e se deslocam sob o peso corporal nessa posição.

Ao mesmo tempo, pesquisas sobre reduções importantes da atividade física mostram que menos movimento representa menos estímulo para a manutenção muscular. Essa combinação ajuda a explicar por que algumas pessoas podem perceber mudanças no contorno depois de períodos prolongados de sedentarismo, embora isso varie de acordo com a rotina e as características de cada corpo.

Médica explica o chamado “bumbum de cadeira”

Para a médica Danuza Alves, referência em harmonização glútea e diretora médica da Clínica Leger Porto Alegre, o chamado “bumbum de cadeira” precisa ser interpretado dentro de um conjunto de fatores. “Quando você passa muitas horas sentada e, fora dali, também não estimula essa musculatura, o glúteo recebe menos estímulo. Não é simplesmente uma questão de ficar algumas horas em uma cadeira, mas do conjunto da rotina. Quanto menos essa musculatura é solicitada, maior pode ser a percepção de um bumbum menos firme e com o desenho menos evidente”, explica.

Movimentar-se ao longo do dia, portanto, faz parte da equação. Levantar da cadeira, caminhar e substituir parte do tempo sedentário por atividade física ajudam a interromper períodos prolongados de inatividade. Exercícios de fortalecimento também têm papel importante na manutenção da musculatura dos glúteos e na preservação do contorno ao longo do tempo.

A médica ainda ressalta que a aparência dos glúteos não depende de um único fator. Musculatura, distribuição de gordura, qualidade da pele, idade, variações de peso e o próprio desenho corporal também interferem no resultado visual.

*Sob supervisão de AR.