Câncer colorretal: médica alerta para sintomas e diagnóstico tardio
Pesquisa do A.C. Camargo revela que quase metade dos brasileiros não busca ajuda médica ao notar sintomas do câncer colorretal
Uma pesquisa divulgada pelo A.C. Camargo Cancer Center, em parceria com a empresa Nexus, revelou que oito em cada dez brasileiros reconhecem como graves a presença de sangue nas fezes ou a alteração do funcionamento intestinal por mais de um mês. Estes são dois dos principais sinais do câncer colorretal.
No entanto, o levantamento também aponta um dado preocupante: quase metade dos brasileiros que percebem sintomas diferentes não procura atendimento médico.
Em entrevista ao Live CNN desta segunda-feira (22), Maria Paula Curado, pesquisadora do A.C. Camargo Cancer Center, alertou para a importância de identificar os sinais da doença precocemente e de buscar diagnóstico o quanto antes.
Curado explicou que os sintomas do câncer colorretal podem ser divididos em dois grupos: os iniciais e os tardios. "O câncer de colo inicial, às vezes, tem só uma pequena mudança do ritmo intestinal", afirmou.
Segundo ela, sinais como alteração na frequência intestinal, má digestão, mal-estar, emagrecimento e perda de apetite são indicativos que merecem atenção médica imediata. "O importante não é esperar sair sangue nas fezes para ir ao médico. É antes disso", destacou.
Já os sintomas tardios, como o sangramento nas fezes ou as fezes em formato de fita, indicam que o tumor já está em estágio avançado. "Quando o câncer colorretal começa a dar sintomas, ele já está em fase mais avançada. É um tumor grande, de mais de dois centímetros", explicou Curado.
Um tumor nesse estágio, segundo ela, exige tratamento ampliado, podendo incluir cirurgia de grande porte, quimioterapia e radioterapia.
Para quem utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS), Maria Paula Curado orientou que o primeiro passo é buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou centros de saúde de base, relatando os sintomas ao agente de saúde.
Ela ressaltou que a qualidade do diagnóstico depende diretamente das informações fornecidas pelo paciente ao médico. "Se o paciente não conta a história direito, o médico não faz o diagnóstico direito", alertou.
O clínico geral, segundo ela, está capacitado para solicitar exames de rotina, como o parasitológico de fezes e a pesquisa de sangue oculto nas fezes.
Crescimento entre pacientes mais jovens
Curado também chamou atenção para um fenômeno recente observado nas pesquisas sobre câncer colorretal: o aumento de casos entre pacientes mais jovens, a partir dos 49 anos.
"Está havendo uma emergência de pacientes mais jovens com o câncer colorretal, e esse crescimento ainda não está claro o que está acontecendo", disse.
A cantora Preta Gil, que morreu há pouco mais de um ano em decorrência da doença, descobriu o câncer colorretal aos 48 anos.
Ela mencionou ainda que, enquanto anteriormente os índices eram mais elevados entre homens, atualmente homens e mulheres apresentam taxas equivalentes para a doença.
Uma bactéria chamada colibactina, associada a uma mutação no gene 88, foi identificada como possivelmente ligada ao aparecimento desse câncer em pessoas mais jovens.
O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou 53 mil novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil, tornando-o o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros.
Diante desse cenário, Curado reforçou a necessidade de disseminar informação de forma responsável. "A gente tem que informar sem aterrorizar", concluiu.


