Casos de sarampo aumentam em 79% no mundo em 2022, diz OMS

Mais de 17 mil casos de sarampo foram relatados em todo o mundo em janeiro e fevereiro de 2022

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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Os casos de sarampo relatados em todo o mundo aumentaram 79% nos primeiros dois meses de 2022, em comparação com o mesmo período de 2021.

Mais de 17 mil casos de sarampo foram relatados em todo o mundo em janeiro e fevereiro de 2022, em comparação com 9.665 registrados durante os dois primeiros meses de 2021. Por ser uma doença altamente contagiosa, os casos tendem a aparecer rapidamente quando os níveis de vacinação diminuem.

Nesta quarta-feira (27), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertaram que os países podem estar diante de condições propícias para o surgimento de surtos graves da doença que pode ser prevenida pela vacinação.

A OMS avalia que o índice representa um sinal preocupante para o aumento do risco de disseminação também de outras doenças evitáveis ​​​​por vacina. De acordo com a entidade, interrupções nas campanhas de vacinação e no funcionamento de serviços de saúde relacionadas à pandemia, crescentes desigualdades no acesso a vacinas e o desvio de recursos da imunização de rotina estão deixando muitas crianças sem proteção contra o sarampo e outras doenças.

“O risco de grandes surtos aumentou à medida que as comunidades relaxam as práticas de distanciamento social e outras medidas preventivas para a Covid-19 implementadas durante o auge da pandemia”, diz o comunicado.

O deslocamento de pessoas devido a conflitos e crises, inclusive na Ucrânia, Etiópia, Somália e Afeganistão, interrupções na imunização de rotina e serviços de vacinação da Covid-19, falta de água potável e saneamento e superlotação também são fatores apontados pela OMS como riscos de aumento dos surtos das doenças.

Além de seu efeito direto no corpo, que pode ser letal, o vírus do sarampo também enfraquece o sistema imunológico e torna a criança mais vulnerável a outras doenças infecciosas como pneumonia e diarreia, inclusive por meses após a própria infecção do sarampo entre aquelas que sobrevivem.

A maioria dos casos ocorre em ambientes que enfrentaram dificuldades sociais e econômicas devido à Covid-19, conflitos ou outras crises sanitárias e têm infraestruturas dos sistemas de saúde reconhecidamente enfraquecidas.

“O sarampo é mais do que uma doença perigosa e potencialmente mortal. É também uma indicação precoce de que existem lacunas em nossa cobertura global de imunização, lacunas que as crianças vulneráveis ​​não podem arcar”, disse Catherine Russell, Diretora Executiva do Unicef, em comunicado.

Em 2020, 23 milhões de crianças deixaram de receber vacinas infantis básicas por meio de serviços de saúde de rotina, o número mais alto desde 2009 e 3,7 milhões a mais do que em 2019.

Nos últimos 12 meses, foram relatados 21 grandes surtos de sarampo em todo o mundo, sendo a maior parte na África e na região do Mediterrâneo Oriental. A OMS estima que os números sejam ainda mais altos, visto que a pandemia interrompeu os sistemas de vigilância globalmente, com potencial subnotificação.

Os países com os maiores surtos de sarampo desde o ano passado incluem Somália, Iêmen, Nigéria, Afeganistão e Etiópia. A cobertura insuficiente da vacinação contra o sarampo é apontada como a principal razão para os surtos.

“A pandemia da Covid-19 interrompeu os serviços de imunização, os sistemas de saúde ficaram sobrecarregados e agora estamos vendo um ressurgimento de doenças mortais, incluindo o sarampo. Para muitas outras doenças, o impacto dessas interrupções nos serviços de imunização será sentido nas próximas décadas”, disse Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS em comunicado.

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