China pede cuidado ao abrir correspondências vindas do exterior devido à Ômicron

As precauções vêm a menos de três semanas de a capital abrir os Jogos Olímpicos de Inverno e diversas cidades chinesas trabalham para suprimir novos surtos de infecções pelo coronavírus

Trabalhador da saúde aplica teste da Covid-19 em mulher, na cidade de Tianjin, em 12 de janeiro de 2022
Trabalhador da saúde aplica teste da Covid-19 em mulher, na cidade de Tianjin, em 12 de janeiro de 2022 Future Publishing via Getty Imag

Josh Horwitzda Reuters

Shanghai

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A China está pedindo que as pessoas usem máscara e luvas ao abrir as correspondências, em especial as vindas do exterior, após autoridades sugerirem que o primeiro caso da variante Ômicron encontrado em Pequim pode ter vindo de um pacote do Canadá.

As autoridades afirmaram que irão aumentar a desinfecção de encomendas internacionais e insistem que os funcionários que lidam com os pacotes estão totalmente vacinados.

As precauções vêm a menos de três semanas de a capital abrir os Jogos Olímpicos de Inverno e diversas cidades chinesas trabalham para suprimir novos surtos de infecções pelo coronavírus.

“Minimize as compras de bens internacionais e o recebimento de correspondências do exterior”, disse a televisão estatal CCTV na segunda-feira (18), em uma publicação nas redes sociais.

“Certifique-se de se proteger durante as entregas presenciais e use máscaras e luvas; tente abrir o pacote ao ar livre”.

Autoridades de saúde disseram que a pessoa infectada com a variante Ômicron abriu um pacote do Canadá que foi encaminhado pelos Estados Unidos e Hong Kong, e a transmissão através do pacote “não pode ser descartada”.

O caso destacou a importância da “proteção individual”, disse a CCTV.

Sugestões semelhantes sobre como lidar com encomendas, não apenas as do exterior, foram feitas pela Comissão Nacional de Saúde em sua conta oficial do WeChat e republicadas por autoridades nas cidades de Xangai e Nanjing.

A China tem sido uma exceção ao afirmar que a Covid-19 pode ser transmitida por meio de importações de itens frios, como carne e peixe congelados, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenha afirmado que o risco é baixo. Pequim também vem promovendo uma narrativa através da mídia estatal de que o vírus existia no exterior antes de ser descoberto no final de 2019 na cidade central de Wuhan.

O Centro dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) disse no ano passado que o risco relativo de infecções por coronavírus através do contato com superfícies ou objetos é considerado baixo.

Sem todas as evidências, é difícil tirar conclusões com certeza, mas alguns cientistas questionaram a teoria de Pequim na terça-feira (18).

David Heymann, professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, disse que não está claro como seria possível o vírus sobreviver no correio, uma vez que se espalha por meio de gotículas cercadas por umidade e deixa de ser infeccioso quando seco.

Quando perguntado pela CNBC sobre a ideia de que a Ômicron havia sido introduzida na China pelo correio, o membro do conselho da Pfizer e ex-chefe da Agência de Alimentos e Drogas (FDA) dos EUA, Scott Gottlieb, disse que não achava isso plausível.

“Parece muita teoria”, disse ele.

Nas últimas semanas, a China vem lutando contra um ressurgimento de casos em várias cidades, alguns deles da variante altamente transmissível. Na terça-feira, relatou 127 novos casos com sintomas confirmados.

O Departamento de Correios do Estado emitiu um aviso na segunda-feira afirmando que o correio internacional deve ser desinfetado após chegar à China, e os funcionários que processam e entregam o correio internacional devem ter recebido vacinas contra a Covid-19 e um reforço.

O China Post também está lembrando os destinatários de correspondência estrangeira para desinfetar o conteúdo “em tempo hábil” com adesivos colados nas encomendas.

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