Circulação de pessoas nas ruas já está maior que no pré-pandemia, diz Fiocruz

Ainda segundo o levantamento da fundação, o número de casos e mortes teve redução, mas pesquisadores alertam para necessidade de cautela

Pessoas caminham em rua de comércio popular no Rio de Janeiro
Pessoas caminham em rua de comércio popular no Rio de Janeiro CNN

Mylena Guedesda CNN*

no Rio de Janeiro

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O Boletim Observatório da Covid-19, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), nesta quinta-feira (21), mostra que a circulação de pessoas nas ruas já está maior que no pré-pandemia.

O Índice de Permanência Domiciliar, que analisa os níveis de isolamento social, revela que a circulação da população brasileira, entre setembro e outubro de 2021, está em um patamar superior do que o período entre 03 de janeiro a 06 de fevereiro de 2020, meses de férias em que já se espera uma maior movimentação.

Segundo o levantamento, a transmissão do vírus segue em redução no país, assim como o número registrado de casos e mortes. Os pesquisadores destacam que a campanha de vacinação está atingindo o principal objetivo, minimizar o impacto da doença na população, evitando internações e óbitos. No entanto, eles alertam que ainda é necessário cautela.

“A manutenção do atual patamar de transmissão não permite afirmar que a pandemia está definitivamente controlada. A impressão de que já vencemos a pandemia é enganosa. A flexibilização de medidas que protegem contra a transmissão do vírus deve ser adotada de forma cautelosa e acompanhada de medidas de vigilância, conjugadas com a adoção do passaporte vacinal, além de testes para identificar rapidamente novos casos e seus contatos”, disseram os especialistas.

“Essas medidas são estratégicas para a redução do risco de contágios no retorno às atividades educacionais, sociais, culturais e de lazer em ambientes fechados”, acrescentaram.

Os dados do Boletim atual analisam a semana entre os dias 10 e 16 de outubro. Nesse período, foi observada uma média diária de 10.200 casos confirmados e 330 mortes em decorrência da doença. A queda do número de infectados é de 4,8% ao dia, enquanto a redução de óbitos é de 3,6%.

Os pesquisadores sinalizam a queda abrupta do número de casos e, em menor proporção, do número de óbitos, que pode estar sendo influenciado por falhas no fluxo de dados pelo e-SUS e Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Os sistemas vêm sofrendo oscilações na divulgação de registros.

“Esse fato pode se refletir na divulgação de um número abaixo do esperado durante algumas semanas, seguido de um número excessivo de notificações, o que pode gerar interpretações equivocadas sobre as tendências locais da pandemia e a tomada de decisões baseadas em dados incompletos”, afirmam os especialistas da Fiocruz.

Apesar da evidente redução nos indicadores da pandemia, o Boletim alerta que os valores ainda são preocupantes, e demonstram a permanência da transmissão do vírus entre os brasileiros. O levantamento afirma que é de se esperar que, após 18 meses com o novo coronavírus, a exaustão e urgência da retomada de algumas atividades influenciam em um relaxamento das medidas.

No entanto, a recomendação é de que, enquanto a cobertura vacinal não atinja um patamar elevado, o uso de máscara seja mantido, e a realização de atividades com maior aglomeração seja somente com comprovante da vacina.

Quanto à ocupação de leitos de UTI

Em relação as taxas de ocupação de leitos de UTI públicos para Covid-19, os índices seguem estáveis, com 25 estados e 23 capitais fora da zona de alerta. A maioria dos locais registram patamares inferiores a 50%.

Das 27 Unidades Federativas, apenas Espírito Santo, com 71% de ocupação e o Distrito Federal, com 80% estão incluídos na zona de alerta. No Distrito Federal, no entanto, há o gerenciamento da retirada de leitos de terapia intensiva destinados ao vírus para outras enfermidades.

*Sob supervisão de Helena Vieira

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