Cirurgia com coração de porco abre caminho para vários tipos de transplantes

Em entrevista à CNN, o cardiologista Roberto Kalil explicou como funciona o procedimento realizado com sucesso nos Estados Unidos

Lucas RochaLayane Serranoda CNN

em São Paulo

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Em uma cirurgia inédita, um paciente de 57 anos com doença cardíaca terminal recebeu um transplante bem-sucedido de um coração de porco geneticamente modificado e permanece bem após três dias do procedimento. A operação foi realizada por especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, no Centro Médico da universidade, nos Estados Unidos.

O transplante de órgão demonstrou, pela primeira vez, que um coração de animal geneticamente modificado pode funcionar como um coração humano sem rejeição imediata pelo corpo.

De acordo com a Universidade de Maryland, o paciente, David Bennett, permanecerá em monitoramento pelas próximas semanas. Bennett havia sido considerado inelegível para um transplante de coração convencional pelos médicos da universidade e de vários outros centros de transplantes que revisaram seus registros médicos.

Em entrevista à CNN, o cardiologista Roberto Kalil Filho, apresentador do programa CNN Sinais Vitais e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que a ciência atua na busca por transplantes entre espécies há mais de quarenta anos.

“Isso abre caminho para vários tipos de transplantes, dos chamados xenotransplantes, não só o coração, como de vários órgãos. A ciência caminha a passos largos e a prova foi essa cirurgia. Provavelmente, você vai abrir o leque para vários órgãos. Com isso, você vai salvar milhões de vidas”, afirmou.

O especialista explica que a falta de doadores é um dos maiores desafios para os transplantes de coração.

“Os principais problemas do transplante não são as técnicas, a cirurgia já é convencional no mundo inteiro. Inclusive, medicações para evitar a rejeição são conhecidas há décadas. O resultado de um transplante cardíaco é muito bom. O grande problema é a falta de doadores muitas vezes. No Brasil, as pessoas esperam um transplantes cardíaco por anos e acabam falecendo antes de aparecer um doador”, disse.

De acordo com Kalil, o sucesso da operação de transplante entre espécies diferentes poderá revolucionar o tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca. “O transplante cardíaco é a via final, é a última alternativa para a sobrevida do paciente. Insuficiência cardíaca significa que o coração é muito fraco, que a única solução seria o transplante”, afirmou.

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