Como age o Leqembi, novo remédio para Alzheimer aprovado pela Anvisa
O medicamento é indicado para pacientes em fases iniciais da doença

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou, no final de dezembro, um novo medicamento para o tratamento de Alzheimer, o Leqembi, da farmacêutica Eisai. O remédio é indicado para pacientes diagnosticados na fase inicial da doença.
O medicamento é produzido com o anticorpo lecanemabe, que reduz a quantidade de placas beta-amiloides no cérebro. O acúmulo dessas placas é uma das características definidoras do Alzheimer.
A aprovação foi baseada em um estudo que envolveu 1.795 pessoas com a doença em estágio inicial e que apresentavam placas beta-amiloides no cérebro. O grupo de participantes foi dividido entre aqueles que receberam lecanemabe e os que receberam placebo.
Segundo a Anvisa, o medicamento apresentou mudança nos sintomas após 18 meses de uso. A avaliação ocorreu a partir de uma escala de demência denominada CDR-SB, utilizada para testar a gravidade da doença de Alzheimer em pacientes.
Segundo o estudo, no subgrupo de 1.521 pessoas, os pacientes tratados com o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB do que aqueles que receberam placebo.
Como funciona o medicamento?
O lecanemabe é um anticorpo monoclonal de imunoglobulina humanizada gama 1 (IgG1) que se liga a grandes placas de beta-amiloide solúvel (protofibrilas) e mantém alta afinidade por beta-amiloide fibrilar. Esses dois tipos de proteínas compreendem as chamadas placas amiloides, cujo acúmulo define o Alzheimer.
De acordo com a Anvisa, o Leqembi é contraindicado nos casos em que a ressonância magnética pré-tratamento apresente hemorragia intracerebral prévia, mais de quatro micro-hemorragias, siderose superficial ou edema vasogênico, sugestivos de angiopatia amiloide cerebral (AAC). O tratamento também não deve ser iniciado em pacientes que estejam recebendo terapia anticoagulante contínua.
As reações adversas relacionadas ao uso do medicamento podem afetar mais de um em cada 10 pacientes e incluem: reações relacionadas à infusão, hemorragia (pequenos sangramentos no cérebro) e dor de cabeça.
O medicamento é uma solução para diluição para infusão. Segundo a Anvisa, ele será comercializado em embalagem contendo 1 ou 2 frasco-ampola de 2mL ou 5mL na concentração de 100 mg/mL de substância ativa lecanemabe. A dose recomendada é de 10 mg/kg administrada por infusão intravenosa (IV) durante aproximadamente uma hora, uma vez a cada duas semanas.
*Com informações de Luiz Claudio Ferreira, da Agência Brasil


