Conass reconhece nova onda de Covid-19 e pede ações ao Ministério da Saúde

Conselho de secretários municipais afirma em ofício enviado ao ministro Marcelo Queiroga que o crescimento de casos com a Ômicron volta a impor desafios aos sistemas público e privado de saúde

O Conass declara que o país está vulnerável com o atraso da população para completar o esquema vacinal contra a Covid-19
O Conass declara que o país está vulnerável com o atraso da população para completar o esquema vacinal contra a Covid-19 Breno Esaki/Agência Saúde DF

Douglas PortoDanilo Moliternoda CNN

em São Paulo

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O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) reconheceu, nesta quarta-feira (12), o estabelecimento de uma nova onda de casos de Covid-19 no Brasil com o avanço da variante Ômicron.

Em ofício enviado ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o Conass diz acreditar “que o crescimento de casos, impulsionado pela nova variante, volta a impor desafios aos sistemas de saúde público e privado do país. Destaca-se que, mesmo com a suspeita da menor gravidade, com a alta transmissão aumentam as chances de hospitalização, principalmente na população sem esquema vacinal completo.”

Segundo dados do Painel Conass, foram notificados 1.721 infecções pelo coronavírus em 2 de janeiro. Já no último domingo (9), o número saltou para 24.382 casos, representando um aumento superior a 300%.

Com o cenário, o Conass pede que o Ministério da Saúde autorize que toda a rede hospitalar seja voltada para atender casos de Covid-19; o aporte de recursos para testagem em massa, considerando o valor de R$ 4 para cada teste enviado aos estados e municípios.

O presidente do conselho, Carlos Lula, assina a nota que ainda solicita o posicionamento da Secretaria de Vigilância em Saúde sobre o cancelamento do Carnaval de rua ou de outros eventos em que não exista a possibilidade de controle com o passaporte vacinal ou teste negativo; e o monitoramento de um potencial desabastecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) e de kits para entubação.

Com um terço da população elegível para a vacinação ainda sem o esquema completo, o conselho afirma que o país está vulnerável a uma grande onda de casos que irá impactar na lotação de hospitais.

“Sendo a Ômicron mais transmissível e responsável pelo aumento de pacientes com sintomas leves, os serviços ambulatoriais estarão pressionados por quadros clínicos que exigem testagem imediata, prescrição médica e emissão de atestados para o devido isolamento dos positivos. Em países onde a nova variante já impacta em recordes de casos leves, a rede hospitalar também já se encontra pressionada por casos graves, principalmente em pacientes não-vacinados, incluindo as crianças”, exemplifica.

Fórum

A CNN solicitou ao ministério uma posição sobre o ofício do Conass e assim que receber uma resposta acrescenta na reportagem.

Mais cedo, o Ministério da Saúde realizou um fórum em que reuniu especialistas e técnicos da pasta “para intensificar o monitoramento e as ações de combate à variante Ômicron no país”, de acordo com uma nota.

“Hoje, nós vivemos em um momento no qual o Brasil mostrou a grande capacidade de promover a imunização em massa. Temos mais de 80% da nossa população acima de 12 anos com duas doses de vacinas aplicadas. Além disso, já avançamos em relação a dose de reforço. Já aplicamos mais de 15 milhões”, disse o ministro Queiroga no evento.

“Em função dessas políticas públicas e do apoio dos secretários estaduais e municipais de saúde, nós experimentamos uma queda expressiva de óbitos e vamos superar os novos desafios da pandemia de Covid-19”, completou.

 

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