Covax: Brasil está no grupo que receberá menos vacina: 1,6 mi de doses até março

Governo brasileiro calculava receber de 5 a 7 milhões de doses; consórcio prevê 10.672.800 de imunizantes ao país até o final do ano

Leandro Resendeda CNN

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O Brasil receberá 1,6 milhão de doses da vacina Oxford/AstraZeneca contra o coronavírus através do consórcio de vacinas Covax até o final do mês que vem. O número de vacinas disponíveis nesta primeira etapa do acordo contraria a expectativa do país, que calculava receber de 5 a 7 milhões de doses, como informou a CNN na terça-feira. O Brasil está no grupo de países que terá menos imunizantes até o primeiro semestre, de acordo com planilha divulgada nesta quarta-feira (3) pela Aliança Gavi, que coordena a união global por vacinas no âmbito da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Frascos com vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford com
Frascos com vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford com a AstraZeneca
Foto: Lee Smith/Reuters

No total, a previsão do consórcio é que o Brasil receba 10.672.800 doses até o final do ano e  15% das doses chegarão até março (1,6 milhão). Pouco mais da metade, quase 6 milhões de doses, virá para o país até junho. O restante será distribuído ao longo de todo 2021. A CNN questionou o Consórcio Covax e a Aliança Gavi sobre o porquê de o Brasil não estar no grupo de países que receberão mais doses neste momento, apesar de o país ter altos índices da doença, com registro de cerca 10% das mortes no mundo. A reportagem também pediu  informações sobre os critérios de distribuição das doses por parte do consórcio – que não está levando em consideração a taxa de contaminação por coranavírus. O Consórcio informou que não pode responder as perguntas.  Os mesmos questionamentos foram feitos ao Ministério da Saúde e à OMS, mas até momento não foram respondidos.

“Estas quantidades de doses são obviamente indicativas e dependem de uma série de questões de fornecimento e regulatórias”, informou à CNN a Aliança Gavi, que coordena o acordo global para distribuição de vacinas contra a Covid-19 no mundo todo.

Os países foram divididos em três grupos: os que receberão doses da vacina produzida pela Pfizer/BioNTech, os que receberão o imunizante de Oxford feito no Instituto Serum, da Índia (de onde vieram os 2 milhões de doses que chegaram ao Brasil) e os que serão contemplados com doses vindas do acordo da aliança Covax com a AstraZeneca – o Brasil faz parte deste terceiro grupo, que receberá 15% das doses até março, e 56% das doses até o final do primeiro semestre. Neste grupo o Brasil é a segunda nação que mais receberá vacinas, perdendo apenas para Indonésia: o país asiático receberá 13,7 milhões.

Se estivesse no grupo de países que receberá as doses do Instituto Serum, o Brasil teria mais vacinas disponíveis até o final do mês que vem e até o fim do primeiro semestre. De acordo com a tabela divulgada pela Aliança Gavi e pelo Consórcio Covax, países deste grupo receberão entre 35% e 40% das doses até março, e entre 60% e 65% até junho.

Em nota, a OMS respondeu que no momento não pode passar mais detalhes sobre os termos do acordo Covax. 

A Aliança Gavi, que coordena o esforço global por vacinas, explicou a CNN que o acordo feito com o Sérum Institute, e do qual o Brasil não faz parte, contempla 61 países, em sua maioria mais pobres, 57 deles escolhidos em 2020 e outros quatro que ingressaram após o acordo.  O Brasil faz parte do grupo que se beneficia do acordo com a AstraZeneca, que atende a todos os países participantes da aliança Covax.

Não houve explicação à reportagem sobre a diferença nos percentuais de vacina a que o Brasil terá direito a receber até março, se 15%, como afirma o consórcio Covax, ou 25%, como divulgou o Ministério da Saúde. A pasta não respondeu à CNN

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