Covid-19: Por que algumas pessoas não respeitam as regras e orientações?

Pandemia se amplia por fatores culturais, demográficos e psicológicos, que podem fazer determinadas pessoas parecerem mais egoístas e perigosas

Aglomeração em praia no Rio de Janeiro
Aglomeração em praia no Rio de Janeiro Foto: Reprodução - 03.ago.2020 / CNN

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As medidas de restrição como lockdown (bloqueio total) e distanciamento social implementadas no mundo inteiro para tentar conter a pandemia do novo coronavírus estão remodelando vidas, controlando atividades que antes eram praticadas livremente e criando novas normas sociais. Mas sempre há algumas pessoas que não seguem as orientações.

A quebra de regras não é um fenômeno novo, mas especialistas em comportamento afirmam que a pandemia se amplia por fatores culturais, demográficos e psicológicos, que podem fazer determinadas pessoas parecerem mais egoístas e perigosas.

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Veja algumas perguntas e respostas sobre a ciência do comportamento humano durante a pandemia da Covid-19.

O que faz com que alguns sigam as regras e outros não?

Um fator chave é o individualismo versus o coletivismo. 

“Alguns países tendem a ser mais fortes no individualismo, expressando seu senso de identidade e quem você é como indivíduo”, afirmou Jay Van Bavel, professor associado de psicologia na Universidade de Nova York.

Pessoas em culturas individualistas tendem a rejeitar regras e ignorar tentativas das autoridades de saúde pública de “incentivar” mudanças de comportamento com mensagens sobre riscos e apelos por altruísmo.

“Se você disser, por exemplo, que usar uma máscara ajudará a proteger os outros, as pessoas em culturas individualistas se importam menos”, disse Michael Sanders, especialista no Instituto de Política do King’s College de Londres.

Em culturas coletivistas, as pessoas costumam fazer o que é melhor para o grupo. Pesquisadores afirmaram que os Estados Unidos e o Reino Unido são exemplos de culturas individualistas, enquanto países asiáticos tendem a ser culturalmente coletivistas.

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Medo e confiança são importantes?

Sim. Esses e outros instintos são influências importantes no comportamento humano.

Nas sociedades com mais polarização política, por exemplo, as pessoas costumam confiar menos em conselhos de um lado ou de outro, e tendem a formar polos pró e contra.

Otimismo e medo também são cruciais. Um pouco dos dois pode ser positivo, mas muito de qualquer um deles pode ser perigoso.

“Em uma situação como a pandemia, [otimismo] pode levar você a assumir riscos que são inacreditavelmente perigosos”, disse Van Bavel.

Por que o distanciamento social é tão difícil?

“Somos animais verdadeiramente sociais”, afirmou Van Bavel. “Nossos corpos e cérebros são feitos para conexões, e a pandemia, de muitas formas, vai contra os nossos instintos de se conectar.”

Isso explica parte do motivo de surtos locais da doença surgirem em bares e clubes noturnos, ou cerimônias religiosas, casamentos e festas. “As pessoas têm dificuldade em resistir a essa tendência de conexão social”, explicou ele.

Se os que não seguem as regras são a minoria, por que isso importa?

“O problema é que, em grandes problemas coletivos, como o que estamos enfrentando agora, se todos quebrarem um pouco as regras não é diferente de muitas pessoas que não seguem as regras”, disse Sanders.

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