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Dia Mundial do Chocolate: doce realmente dá espinhas? Entenda

Especialistas explicam que "vilão" é o açúcar e não o cacau em si; veja as dicas

Chocolate: consumo moderado pode trazer benefícios
Chocolate: consumo moderado pode trazer benefícios Tetiana Bykovets/Unsplash

Bárbara Carvalhocolaboração para a CNN

São Paulo

Nesta sexta-feira (7) comemora-se o Dia Internacional do Chocolate, iguaria que coleciona apaixonados e receitas pelos quatro cantos do mundo. Porém, à medida que as mesas são preenchidas com diversos tipos e receitas do doce, uma pergunta persiste na mente de muitos: será que o chocolate realmente causa espinhas?

Durante décadas, o doce tem sido alvo de especulações e debates em relação ao seu impacto na saúde da pele. A crença popular de que o consumo está diretamente relacionado ao aparecimento de acne e espinhas tem sido difundida por gerações, mas será que a afirmação tem fundamento científico?

Para a dermatologista Juliana Piquet, da sociedade brasileira de Dermatologia, dieta e acne sempre foram temas controversos. “Hoje, o que sabemos é que alimentos com alto índice glicêmico e o leite, especialmente desnatado, além de seus derivados, podem agravar a acne”, explica.

Quanto ao chocolate, a especialista informa que o do tipo amargo pode fazer bem para a pele. “Sabemos que o chocolate amargo, rico em flavonoides, é capaz de atenuar a reatividade pro-inflamatória a nível intracelular em resposta ao estresse psicossocial agudo, através de mecanismos que podem levar a benefícios na saúde cardiovascular. Com ação antioxidante, podem ter benefícios na pele, inclusive”.

O açúcar e o leite, por exemplo, aparecem em peso na tabela nutricional de várias embalagens, e é aí que pode morar o perigo. “O chocolate ao leite possui maior teor de açucares e gordura, prejudiciais à saúde no geral”, conta a dermatologista.

Inclusive, o nutricionista Pedro Perim, mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, reforça que o cacau é um poderoso antioxidante e detalha seus benefícios para a saúde como um todo.

“Ele é rico em polifenóis e flavonoides, que possuem a capacidade de diminuir a inflamação do corpo. Além disso, temos alguns estudos mostrando que esses antioxidantes podem reduzir alguns marcadores metabólicos como, por exemplo, colesterol, glicemia, triglicérides e pressão arterial, contribuindo para uma promoção de saúde. Por fim, existem evidências científicas mostrando que o cacau pode contribuir para uma maior saúde intestinal e também para melhor saúde mitocondrial”, revela.

 

Rosquinha de chocolate / Pexels

Qual o segredo para aproveitar os benefícios do cacau?

Pedro comenta que o correto é sempre olhar a lista de ingredientes e escolher produtos em que o cacau apareça como o primeiro componente. “Vale ressaltar que a relação aparece de ordem decrescente, de acordo com a quantidade, ou seja, o primeiro ingrediente é o que mais contém no produto e o último o que menos tem quantidade. Tomem cuidado com chocolates que se dizem amargos e o primeiro ingrediente é o açúcar”, pontua.

Mas isso não quer dizer que todos devam se livrar do chocolate ao leite. Para a maioria das pessoas, o consumo moderado de chocolate como parte de uma dieta equilibrada não deve causar problemas de pele significativos. É importante lembrar que cada pessoa é única e pode reagir de maneira diferente aos alimentos.

A acne é uma condição multifatorial influenciada por fatores como genética, hormônios, higiene pessoal e dieta em geral.

Conselhos dos especialistas

  • Em picos de estresse, a sensação, por si só, já pode agravar a acne. Por isso, vale comer um pedaço de chocolate amargo. Isso pode aliviar o estresse e talvez ajudar o coração;
  • A respeito dos ativos no skincare para quem tem pele oleosa e ama chocolate: use muito usado ácido salicílico e peróxido de benzoíla;
  • Lembre-se que o grande vilão é o açúcar e não o cacau em si;
  • Em vez de demonizar o chocolate, é mais sensato concentrar-se em manter uma boa higiene pessoal, seguir uma dieta equilibrada e saudável, e consultar um dermatologista se surgirem preocupações relacionadas à pele;
  • Há algumas recomendações para quantidade de açúcar por dia (cerca de 30-50g), mas não há uma recomendação para uma porção de chocolate diária, pois existem diversos tipos e composições;
  • Existem alguns estudos que mostram que comer chocolate após uma refeição pode ser interessante, pois na refeição já existe naturalmente uma quantidade de carboidratos que influencia na liberação de insulina do corpo. Portanto, o chocolate, em si, não promoveria um aumento tão significativo da liberação desse hormônio pelo organismo. Com isso, alguns cientistas recomendam esses horários para o consumo de chocolates;
  • Chocolates após exercícios físicos também podem ser atrativos, já que o doce ajuda na recuperação muscular; e
  • Equilíbrio e moderação são as chaves para aproveitar as delícias do chocolate sem comprometer a saúde.