Diretriz: semaglutida e tirzepatida são 1ª opção para tratar obesidade

Nova diretriz clínica do American College of Physicians orienta o uso desses medicamentos, conhecidos como Ozempic e Mounjaro, junto a modificações de estilo de vida como medida mais eficaz para tratar doença

Larissa Soave, da CNN Brasil*, em São Paulo
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Uma nova diretriz clínica publicada nos Estados Unidos recomenda a semaglutida e a tirzepatida, comercializados respectivamente como Ozempic e Mounjaro, como primeira opção de tratamento para a obesidade.

O novo documento foi publicado na revista Annals of Internal Medicine e elaborado pelo ACP (American College of Physicians). Segundo a sociedade de médicos, a diretriz busca ajudar os médicos a escolherem medicamentos para regular o sobrepeso e a obesidade em adultos, combinados com modificações no estilo de vida.

O estudo foi classificado como uma “diretriz viva”, ou seja, as recomendações serão atualizadas à medida que novas evidências estiverem disponíveis, já que os medicamentos para o controle do peso são uma área de pesquisa ativa.

De acordo com o ACP, atualmente, mais da metade (59%) da população mundial apresenta sobrepeso ou obesidade, condições crônicas que aumentam o risco de problemas de saúde como diabetes tipo 2, pressão alta, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.

Somente nos Estados Unidos, mais de dois terços (68,5%) dos adultos têm sobrepeso ou obesidade.

As recomendações são combinar as modificações no estilo de vida, como a melhoria da nutrição e a atividade física, com o tratamento farmacológico. Para adultos não gestantes e com obesidade, os medicamentos deve seguir a ordem abaixo:

  • A semaglutida ou a tirzepatida são opções de primeira linha.
  • Fentermina-topiramato como tratamento de segunda linha.
  • Liraglutida como tratamento de terceira linha.
  • Naltrexona-bupropiona como tratamento de quarta linha.

Já para adultos não gestantes com sobrepeso e com pelo menos uma comorbidade associada (como diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão, apneia obstrutiva do sono ou doença cardiovascular), o recomendado é:

  • Semaglutida ou tirzepatida como tratamento de primeira linha.
  • Liraglutida como tratamento de segunda linha.

A associação recomenda que, ao inicar o tratamento com um medicamento para o controle do peso ou ao mudar para outro medicamento devido a uma resposta inadequada, médicos e pacientes devem discutir os benefícios, malefícios, custos, acesso e disponibilidade, comorbidades clínicas, metas de perda de peso, expectativa de vida, valores e preferências, além de contraindicações e advertências.

O ACP também afirma que os médicos devem orientar os pacientes sobre possíveis efeitos colaterais indesejados da perda de peso, incluindo deficiências nutricionais e perda de massa muscular e de densidade óssea, especialmente em idosos.

A Dra. Jan K. Carney, Doutora em Medicina, Mestre em Saúde e presidente do ACP, afirma que o sobrepeso e a obesidade são condições crônicas e progressivas, elevando o risco de complicações de saúde e reduzindo a expectativa de vida.

“Embora o manejo de primeira linha para o sobrepeso e a obesidade com mudanças no estilo de vida, como uma melhor nutrição e o aumento da atividade física, permaneça essencial, muitos adultos ainda lutam para alcançar uma perda de peso clinicamente significativa. Sob a supervisão de um médico, as evidências sugerem que os tratamentos farmacológicos podem impactar positivamente a saúde das pessoas e ajudá-las a alcançar uma perda de peso segura” afirma Carney.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo