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    Dormir pouco pode prejudicar a memória, e novo estudo explica o porquê

    Na visão dos pesquisadores, as descobertas poderão levar a tratamentos direcionais para melhorar a memória futuramente

    Mais da metade dos brasileiros está dormindo mal durante a pandemia, segundo pesquisa do Instituto do Sono
    Mais da metade dos brasileiros está dormindo mal durante a pandemia, segundo pesquisa do Instituto do Sono Getty Images

    Gabriela Maraccinida CNN

    Diversas pesquisas já relacionaram a qualidade do sono a um melhor estado de saúde geral. Agora, um novo estudo sugere que a memória de longo prazo pode ser afetada pela privação de sono. Além disso, mesmo uma boa noite de sono após uma noite mal dormida não é o suficiente para corrigir o sinal cerebral relacionado à memória. A descoberta foi publicada na quarta-feira (12) na revista científica Nature.

    Para Kamran Diba, neurocientista computacional da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, co-autor do estudo, essas descobertas poderão levar a tratamentos direcionais para melhorar a memória futuramente.

    Os neurônios do cérebro estão interconectados e, geralmente, disparam juntos em padrões repetitivos — um deles é a ondulação de ondas agudas. Nela, um grande grupo de neurônios dispara de forma sincronizada, e isso acontece em uma área do cérebro chamada hipocampo, fundamental para a formação da memória.

    Além disso, evidências científicas mostraram que, possivelmente, esses padrões facilitem a comunicação com o neocórtex, local onde as memórias de longo prazo são armazenadas.

    Pesquisas anteriores já tinham notado que essas ondulações de ondas agudas tendem a ocorrer durante o sono profundo e, também, durante a vigília (quando estamos acordados). Quando as ondulações acontecem durante o sono, elas podem ser importantes para transformar o conhecimento de curto prazo em memórias de longo prazo.

    A partir disso, e para entender melhor como a privação de sono pode afetar a memória, os pesquisadores decidiram registrar a atividade do hipocampo em sete ratos enquanto eles exploravam labirintos ao longo de várias semanas. Alguns desses animais tiveram seus sonos perturbados regularmente por intervenções dos cientistas, enquanto outros puderam dormir à vontade.

    Segundo os pesquisadores, os ratos acordados repetidamente tiveram níveis semelhantes e, até mesmo, mais elevados de atividade de ondas agudas do que os roedores que dormiram normalmente. Porém, essas ondulações foram mais fracas e menos organizadas, o que indica uma diminuição na repetição dos padrões de disparo dos neurônios.

    Depois que os ratos privados de sono puderam se recuperar da intervenção, os padrões neurais anteriores foram recuperados, mas não atingiram os mesmos níveis dos ratos que puderam dormir normalmente, sem interrupções.

    O que o estudo concluiu?

    Para Loren Frank, neurocientista da Universidade da Califórnia, em São Francisco, que não esteve envolvido no estudo, “as memórias continuam a ser processadas depois de vivenciadas e [de] que o processamento pós-experiência é realmente importante”.

    Em entrevista ao site da revista Nature, o especialista afirmou que essa descoberta poderia explicar por que estudar muito antes de uma prova ou passar a noite inteira acordado estudando pode ser uma estratégia ineficaz.

    Além disso, na visão de György Buzsáki, neurocientista de sistemas da NYU Langone Health em Nova Iorque, que tem pesquisado estas explosões desde a década de 1980, a interrupção do sono pode ser usada para evitar que memórias traumáticas sejam armazenadas a longo prazo.