É impossível fiscalizar uso de máscaras em São Paulo, diz infectologista David Uip

Em entrevista à CNN, médico do Sírio Libanês acredita que obrigatoriedade do acessório é "um problema de conscientização, não de capacidade de vigilância"; governo paulista prorrogou exigência até 31 de março

Layane SerranoLeonardo Lopesda CNN

em São Paulo

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O governo de São Paulo anunciou, nesta quarta-feira (12), uma redução a 70% da capacidade de público e exigência de comprovante de vacinação contra Covid-19 para estádios, shows e outros eventos com grandes aglomerações. Além disso, a obrigatoriedade de uso de máscaras no estado foi prorrogada até ao menos 31 de março.

“Estamos enfrentando uma pandemia dos não vacinados, dos que não completaram a vacinação e das crianças não vacinadas, esses dois grupos são os responsáveis por esse acréscimo que vislumbramos no número de internações e de casos”, disse o coordenador executivo do Centro de Contingência Contra a Covid-19 de São Paulo, João Gabbardo.

Em entrevista à CNN nesta quinta (13), o infectologista David Uip disse que acredita ser impossível fiscalizar o uso de máscaras obrigatório em São Paulo. “Como você vigia um estado com 44 milhões de pessoas que se locomovem o tempo inteiro?”, declarou.

O médico do Sírio Libanês e membro do Conselho Científico de Estado de São Paulo afirmou que a exigência do acessório de proteção “é um problema muito mais de conscientização do que de capacidade de vigilância”.

“É praticamente impossível você vigiar tudo o que acontece em todo espaço público e situações privadas. Você vai ver festa de 3 mil pessoas e ninguém de máscara”, afirmou.

Segundo o governo de São Paulo, houve o aumento de 58% no número de pessoas internadas nos leitos de UTI nas últimas semanas, e o acréscimo de 99% no número de pacientes nas enfermarias.

Desde o início da pandemia, São Paulo é o estado brasileiro com maior número de mortes e contaminações causadas pelo novo coronavírus.

Até esta quarta-feira (12), o estado paulista já contabilizava 155.420 mortes e 4.478.468 casos de Covid-19, segundo dados do Conselho Nacional de Secretário de Saúde (Conass).

Já o índice de vacinação em São Paulo, até esta quarta, era de 85,47% da população com pelo menos uma dose e 79,66% de pessoas com o esquema vacinal completo.

“Temos um avanço [da Ômicron] impressionante, algo como nunca antes visto. O aumento do número de casos supera em algumas vezes os passados desde o início da pandemia”, declarou David Uip.

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