Enquanto houver baixa vacinação, vírus circulará sem controle, diz diretor da OMS

"O mundo não estará preparado para terminar a pandemia se não garantirmos acesso equitativo às vacinas", diz diretor

Raphael CoracciniLayane Serranoda CNN

Em São Paulo

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A baixa vacinação em alguns dos países mais pobres do mundo é um perigo para toda a população mundial, e isso está relacionado à concentração de vacinas em países desenvolvidos.

O recado é de Jarbas Barbosa, diretor adjunto da Opas/OMS (Organização Pan-Americana da Saúde, um braço da Organização Mundial da Saúde), em entrevista à CNN nesta segunda-feira (29).

Ele destaca que a o nível de acesso à vacinação em países como Botsuana, onde a boa variante foi encontrada pela primeira vez, além de nações como Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue, que também registraram a presença da Ômicron, a nova variante do coronavírus, está diretamente relacionado ao baixo acesso a vacinas.

“Enquanto deixarmos continentes e países com baixíssima cobertura vacinal, o vírus circulando sem controle, isso pode levar ao surgimento de novas variantes”, afirma Barbosa.

“O mundo não estará preparado para terminar a pandemia se não garantirmos acesso equitativo às vacinas. A África só vacinou até agora cerca de 7% com a primeira dose, cerca de 5% com as duas doses”, diz o diretor.

Mesmo a África do Sul, um dos países mais desenvolvidos do continente, enfrenta problemas para garantir acesso aos imunizantes.

“A África do Sul, país que mais vacina na África, atingiu mais de 23% da sua população completamente vacinada”, completa o diretor da entidade.

Um levantamento feito pela OMS e comentado nesta segunda-feira pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, apontou que mais de 80% das vacinas estão concentrados em países ricos.

“Mais de 80% das vacinas mundiais foram para países do G20; países de baixa renda, a maioria deles na África, receberam apenas 0,6% de todas as vacinas”, afirmou Tedros em sua conta no Twitter.

Risco da variante Ômicron

O diretor da Opas/OMS reforçou que a variante Ômicron é a quinta classificada como “de preocupação”, mas que o nível de transmissibilidade e letalidade só poderão ser detalhas diante do avanço dos casos, o que pode demorar “dias ou semanas”.

“Só vamos ter uma segurança sobre o verdadeiro impacto quando tivermos o estudo em população, ou seja, quando olharmos os dados em população e verificar se ela está transmitindo de maneira mais rápida, como os dados da África do Sul estão sugerindo, e se ela mantém a capacidade de gerar mais casos graves ou não”, aponta.

Os estudos serão feitos comparando o quadro de saúde de pessoas internadas com a nova variante a evolução da doença entre vacinados e mais vacinados. A medida indica a eficiência das vacinas para a nova variante, assim como foi feito anteriormente com as outras variantes “de preocupação” que a OMS acompanhou.

Barbosa conta que a variante Delta, responsável pela quarta onda e hoje a variante mais presente no mundo, causou uma pequena redução da efetividade das vacinas, mas destaca que, mesmo com essa redução, as vacinas continuaram muito efetivas.

Ele afirma que é preciso mais tempo para identificar a eficiência das vacinas contra a Ômicron, mas que é provável que haja uma redução na efetividade do imunizante, assim como no caso da Delta.

“As vacinas continuarão a proteger. Pode ser que haja uma redução da efetividade de 90 para 80%, mas elas continuarão a ser a melhor maneira de se proteger contra a variante”, afirma Barbosa.

Mesmo as medidas de suspensão de voos para países onde a variante já foi detectada tem um poder limitado sobre a contenção da disseminação enquanto a disseminação das vacinas não for uma prioridade.

“Não é muito provável que limitação de voos seja efetiva. O que é efetivo é ter boa vigilância, aumentar rapidamente vacinação e garantir que seja equitativa”, destaca.

Além disso, ele ressalta a importância de manutenção das medidas sanitárias básicas. “Medidas como o uso de máscaras e evitar aglomerações continuam sendo as melhores maneiras de combater a nova variante do vírus Sars-Cov-2”.

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