Entenda como universidades em Singapura não tiveram casos de Covid-19

Tecnologia, penalidades e conscientização são a base da marca

Uso de máscara é obrigatório em universidades de Singapura
Uso de máscara é obrigatório em universidades de Singapura Foto: Divulgação/NUS

Juliana Faddul, colaboração para a CNN Brasil

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Desde que os primeiros casos de contaminação pelo novo coronavírus começaram a assustar o mundo, as três principais universidades de Singapura têm conseguido passar incólumes pela pandemia que já contaminou 90 milhões de pessoas ao redor do planeta.

O país asiático se tornou uma referência quando o assunto é contenção do novo coronavírus sendo, inclusive, elogiada pela Organização Mundial da Saúde. A façanha de não registrar nenhum caso de Covid-19 entre 50 mil universitários se baseia em três pilares: tecnologia, penalidades e conscientização. Não se trata, porém, de uma tarefa fácil.

Diariamente o presidente da Universidade Nacional de Singapura, Tan Eng Chye, monitora as cafeterias das universidades para saber como está o fluxo de pessoas lá. Ele é responsável por três campi (Kent Ridge, Bukit Timah e Outram), onde abrangem 17 faculdades e escolas.

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Embora as mesas estejam interditadas — e os estudantes obrigados a fazer suas refeições em seus dormitórios — muitas vezes há uma “superlotação”. Nestes casos, Chye isenta os alunos da taxa de delivery.

As temperaturas são medidas duas vezes ao dia e catalogadas por um aplicativo de celular. O uso do wi-fi pelos dispositivos, celulares e computadores, também consegue monitorar a movimentação de estudantes e professores dentro do campus.

Caso os estudantes estejam violando alguma das instruções dadas (uso de máscara, isolamento social, uso de álcool em gel), as penalidades são bastante severas, como suspensão da carteira de trabalho e deportação — no caso de estrangeiros.

Vistorias são feitas regularmente nos dormitórios e o uso de máscaras obrigatório, mesmo que o estudante esteja sozinho no quarto. Em caso de contaminação (isso vale para a população em geral também) o governo disponibiliza testes gratuitos para detecção do vírus e rápido isolamento.

Ao contrário de outras universidades do mundo, não houve objeções a respeito das aulas online. A assistência foi acima do esperado assim como a participação do corpo discente. Singapura também não conta com uma “cultura universitária”, como as “irmandades” comuns nos EUA ou festas e jogos universitárias no caso do Brasil, o que facilita a retenção do vírus.  

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