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    Entenda por que o lubrificante é uma estratégia de saúde e prevenção de doenças

    Compra pelo governo da Argentina de lubrificante íntimo para distribuição à população causou polêmica; medida é considerada uma estratégia de saúde pública

    No Brasil, lubrificantes íntimos são distribuídos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS)
    No Brasil, lubrificantes íntimos são distribuídos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) Rodrigo Nunes/MS

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    A compra pelo governo da Argentina de gel lubrificante para distribuição à população causou polêmica nesta semana.

    O investimento de dinheiro público, que pode chegar a R$ 15 milhões, repercutiu na imprensa internacional e ganhou as redes sociais com questionamentos acerca da necessidade do item.

    No Brasil, lubrificantes íntimos são distribuídos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

    A medida, que tem como base evidências científicas, é considerada uma estratégia de saúde pública para a redução da incidência de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).

    Uso de lubrificante

    O médico infectologista Álvaro Furtado, do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirma que embora o tema seja tratado de maneira leviana, o lubrificante íntimo cumpre um papel relevante como medida complementar de proteção à saúde sexual.

    “O lubrificante é algo pouco discutido com relação ao painel de prevenção das ISTs, por que se tem a falsa ideia de que ele é algo acessório, que não é importante dentro de prevenção e um mero artefato durante a atividade sexual e na verdade não é isso”, diz Furtado.

    O especialista explica que a atividade sexual está associada ao atrito e pode provocar traumas na região genital e anal.

    “Quando se usa lubrificante, você deixa a mucosa que está hidratada e lubrificada menos suscetível a esse tipo de complicação da atividade sexual. Você acaba diminuindo a penetração de alguns patógenos [agentes causadores de doenças] na mucosa genital e anal”, afirma o infectologista.

    Em publicação no Twitter, o ministro da Saúde de Buenos Aires Nicolás Kreplak afirmou que o investimento faz parte das ações da pasta em cumprimento à legislação.

    “Estamos gerindo, cumprindo a lei e cuidando da nossa população. A aquisição de itens de prevenção e cuidados com a saúde sexual não é novidade. Sempre foi feito e todos os insumos têm que ser fornecidos pelo Estado. Nada surpreende. Eles desinformam e confundem”, disse Kreplak.

    A subsecretária de gestão da informação do Ministério da Saúde de Buenos Aires, Leticia Ceriani, afirmou em publicação no Twitter, que a compra implica uma política inclusiva para garantir o acesso a todas as pessoas ao item.

    “O gel lubrificante diminui a ruptura do preservativo, resultando em uma política de prevenção de ISTs e gravidez não planejada. O gel íntimo também foi adquirido na administração anterior, a única coisa que mudaria com esta compra é a apresentação, pois agora é entregue individualmente para otimizar o uso e o investimento”, disse Leticia.

    Prevenção combinada

    O uso simultâneo de diferentes abordagens, considerando aspectos biomédicos, comportamentais e estruturais, caracteriza a chamada prevenção combinada às infecções sexualmente transmissíveis.

    De acordo com o conceito, a estratégia de prevenção pode ser mais eficaz quando adotada com base nas características específicas do momento de vida de cada pessoa.

    As intervenções biomédicas são ações voltadas à redução do risco de exposição às ISTs, que podem ser divididas em barreiras físicas e medicamentosas. Como exemplo do primeiro grupo, tem-se a distribuição de preservativos masculinos e femininos e de gel lubrificante. Já os exemplos do segundo grupo incluem a profilaxia pós-exposição (PEP) e a profilaxia pré-exposição (PrEP) – específicas contra o HIV.

    As intervenções comportamentais, por sua vez, são ações que contribuem para o aumento da informação e da percepção do risco de exposição, visando a redução. Incluindo incentivos a mudanças de comportamento da pessoa e da comunidade ou grupo social em que ela está inserida.

    Como exemplos, podem ser citados o incentivo ao uso de preservativos masculinos e femininos; aconselhamento sobre HIV/Aids e outras ISTs; incentivo à testagem; adesão às intervenções biomédicas; vinculação e retenção nos serviços de saúde; redução de danos para as pessoas que usam álcool e outras drogas, além de estratégias de comunicação e educação entre pares.

    “Então, é fundamental você mesclar dentro do seu painel de prevenção, além do que a gente já tem disponível, o uso de lubrificantes. Eles são distribuídos gratuitamente pelo SUS, como uma medida de saúde pública por que você consegue diminuir a incidência de novos casos de ISTs”, conclui Furtado.

    As intervenções estruturais são ações voltadas aos fatores e condições socioculturais que influenciam diretamente a vulnerabilidade de indivíduos ou grupos sociais específicos, envolvendo preconceito, estigma, discriminação ou qualquer outra forma de alienação dos direitos e garantias fundamentais à dignidade humana.

    Entre os exemplos, estão ações de enfrentamento ao racismo, sexismo, LGBTfobia e demais preconceitos; promoção e defesa dos direitos humanos; campanhas educativas e de conscientização.

    Leia também sobre os sintomas da sífilis e como se prevenir contra esse tipo de IST.