Estados registram alta de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em crianças

Dados divulgados no último Boletim do InfoGripe da Fiocruz também apontam estabilização de casos nos idosos acima de 70 anos, no RJ, onde havia tendência de alta

Camille CoutoBeatriz Puenteda CNN

No Rio de Janeiro

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A proporção de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) aumentou significativamente em crianças nas últimas semanas, com destaque para São Paulo e Minas Gerais, que apresentaram números elevados comparados ao patamar atual da pandemia.

Esses recortes de dados estaduais foram divulgados nesta quinta-feira (30), no Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Índices mais baixos

No geral, o Brasil tem os índices mais baixos de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde o início da pandemia, com exceção de cinco dos 27 estados, que ainda apresentam sinal de aumento na tendência de longo prazo. São eles: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Pará e Rondônia. Segundo o levantamento, no momento, cerca de 96% das ocorrências de SRAG são relativas a infecções de Covid-19.

Para o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do boletim e do Programa de Computação Científica (PROCC/Fiocruz), o Rio de Janeiro passou por um período de retomada do crescimento de casos nos idosos entre o final de julho e o começo de agosto, o que não se observou em outros estados.

Belo Horizonte tem tendência de aumento de casos nesse público. Já o Distrito Federal apresenta índices de crescimento concentrados nos mais idosos, bem similar ao que ocorreu no Rio de Janeiro, que está em processo de queda no registro de casos.

“É difícil precisar o que levou a essa situação no Rio de Janeiro. Pode ser uma combinação da diminuição do efeito protetor da vacina entre idosos — que levou à adoção da dose de reforço –, e do aumento da exposição na população em geral, facilitando a transmissão. Também tem o avanço da variante Delta ao longo desse processo, que não parece ser responsável pelo início desse período de crescimento, mas pode ter ajudado a mantê-lo”, destacou o pesquisador.

Alta nos casos de crianças

Sobre os casos em crianças, o coordenador do InfoGripe ressalta que o estudo descritivo da semana anterior já vinha destacando tendência de alta. O resultado, já observado em vários estados, pode estar ligado à combinação da flexibilização das atividades econômicas, com a circulação de pessoas e interações presenciais, além do fato de que essa população não está apta à vacinação.

“Ao longo do ano passado, conseguimos manter as crianças protegidas pelas medidas coletivas e aulas remotas. Hoje, elas já estão mais expostas. Em termos relativos, levando em conta o tamanho da população em cada faixa etária, continuam tendo risco menor, em geral, mas o volume de casos semanais aumentou muito em relação ao ano passado.”

Há também uma preocupação entre os pesquisadores em relação à região Sul do país, onde foi observada a presença do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que voltou a circular justamente na esteira das flexibilizações. Esse vírus, segundo especialistas, gera casos graves principalmente em crianças pequenas.

“É possível que ele também esteja contribuindo para o aumento de casos de SRAG em outros estados. O ministério, inclusive, está incentivando a retomada da testagem para esse vírus nos casos de SRAG por conta disso. O avanço da vacinação entre os adolescentes pode ajudar a proteger essa população, por diminuir a transmissão da Covid no ambiente escolar. Não afetaria os casos de VSR, mas ao menos diminuiria a contribuição da Covid como causa de SRAG entre as crianças”, alertou Gomes.

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