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    ‘Estamos no pico de uma tragédia, não sei onde vai parar’, diz Roberto Kalil

    À CNN, médico analisou o aumento de casos e mortes pelo país por causa da Covid-19. 'Não vejo muita saída a não ser a vacinação em massa'

    Produzido por Elis Franco, da CNN, em São Paulo

    Os números de casos e mortes por Covid-19 no Brasil podem aumentar ainda mais nas próximas semanas e o sistema de saúde corre o risco de entrar em colapso, afirmou o cardiologista Roberto Kalil Filho – que em breve estreará o programa “Sinais Vitais”, na CNN – em entrevista na noite desta quinta-feira (11).

    “Estamos no pico de uma tragédia. Tenho 34 anos de Medicina, nunca imaginei estar numa situação dessa. Os hospitais estão colapsando, as UTIs lotadas, a taxa de mortalidade desse vírus não é pequena, os profissionais estafados. Honestamente, não sei onde vai parar”, afirmou.

    “Pelas projeções, nas próximas semanas isso vai piorar. Vai aumentar o número de contaminados, a mortalidade diária, que chegou a um nível inviável. Uma situação muito dramática. Não vejo muita saída a não ser a vacinação em massa. Por enquanto, o número de pessoas vacinadas é pífio”, disse. 

    Kalil relatou as complexidades que o sistema de saúde enfrenta. “Não adianta ficar criando leito de UTI, tem que ter pessoal para isso. O médico com experiência é muito difícil no mercado, temos problemas na contratação da equipe multidisciplinar. Você não vai colocar um profissional de saúde sem experiência para tratar alguém com Covid-19 na UTI”, explicou.

    O cardiologista Roberto Kalil Filho (11.mar.2021)
    O cardiologista Roberto Kalil Filho falou sobre as complexidades que o sistema de saúde enfrenta
    Foto: Reprodução/CNN

    O médico disse que ainda é preciso lidar com as sequelas de quem teve a forma da doença e sobreviveu. “25% nos primeiros seis meses após a alta morrem. Isso para o sistema de saúde é uma verdadeira catástrofe.”

    Kalil enumerou também os fatores que, em sua análise, levaram a situação ao nível atual. “Chegamos a esse ponto por a população não estar vacinada, as variações do vírus agredindo, os hospitais entrando em colapso e as pessoas não colaborando. É uma situação ideal para o vírus ganhar não só a batalha, como a guerra”, pontuou.