Estudo da Fiocruz analisa impacto da inflamação da diabetes na Covid-19

Os resultados mostram que a diabetes estava associada a diversos distúrbios relacionados ao novo coronavírus

Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19 ESTADÃO CONTEÚDO

Mylena Guedesda CNN*

no Rio de Janeiro

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Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia analisou o impacto da inflamação crônica da diabetes no desenvolvimento de quadros graves do novo coronavírus. Apesar de ser comprovado cientificamente que a doença é um fator de risco para infectados com a Covid-19, ainda não são conhecidos os mecanismos envolvidos neste cenário. 

Os cientistas da Fundação coletaram amostras de sangue de 53 pacientes contaminados, com e sem diabetes, nos primeiros dois dias de internação em Salvador.

Os resultados, publicados numa das revistas científicas mais importantes no mundo sobre o tema, mostram que a enfermidade foi associada a diversos distúrbios relacionados ao vírus, como redução da saturação de oxigênio, baixa pressão arterial e aumento da duração da doença.

A coleta dos dados foi realizada em 2020 e, por isso, os pacientes ainda não estavam vacinados.

Um dos motivos para as alterações registradas é que, entre os diabéticos, foi observado o aumento da quantidade de uma molécula chamada leucotrieno B4, que está diretamente ligada à inflamação e lentidão da cicatrização nesses indivíduos.

Devido à lesão pulmonar ocasionada pela resposta inflamatória ao vírus SARs-Cov-2, os pacientes analisados com esse aumento precisaram de cuidados intensivos com mais frequência do que os demais.

À CNN, a coordenadora da pesquisa, Natália Tavares, afirma os receptores do vírus também estão em maior quantidade nos pacientes com diabetes, demonstrando que eles têm mais portas de entrada e, portanto, são mais propensos à invasão da Covid-19. Segundo ela, o estudo abre possibilidades para que os profissionais de saúde solucionem alguns desses problemas e previnam a evolução para um quadro grave.

“Vale lembrar que coletamos os dados dos pacientes nas primeiras 48 horas de admissão. Ou seja, se na unidade de saúde é visto que um paciente diabético dá entrada com leucotrieno B4 acima do normal na corrente sanguínea, acende um alerta, essa pessoa tem grandes chances de ter um quadro grave. Existem remédios que atuam exatamente na via desse leucotrieno, então pode ser uma medida a ser tomada para o tratamento”, explica a especialista da Fiocruz.

No monitoramento feito pelos cientistas, as taxas de mortalidade foram semelhantes entre os internados com e sem diabetes. No entanto, a gravidade da doença foi maior em indivíduos com a comorbidade.

*Sob supervisão de Isabelle Resende

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