Demora na imunização pode comprometer resultados de campanha, diz Unicamp

Segundo o estudo, se 1,3 milhões de doses fossem aplicadas diariamente, o Brasil conseguiria reduzir em até 75% as mortes pela Covid-19

Produzido por Fernanda Pinotti e Renata Souza (com supervisão de Jorge Fernando Rodrigues)

Da CNN, em São Paulo

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O Brasil aplicou até o momento quase 13 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19, número muito baixo levando em consideração o tamanho da população do país, formada por mais de 200 milhões de pessoas.

A demora na imunização pode acabar comprometendo os bons resultados que poderiam ser atingidos, caso aplicação das doses acontecesse em maior escala, mostra pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O Pesquisador do Instituto de Matemática da Unicamp e responsável pelo estudo, Thomas Vilches, conta que, logo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou a análise sobre a eficácia das vacinas Coronavac e AstraZeneca, os cientistas se mobilizaram para entender qual seria o impacto de uma campanha de vacinação para assegurar a eficácia prometida pelo rótulo.

“O impacto dessa pesquisa está relacionado, em especial, em mostrar que a gente precisa vacinar e vacinar rápido. A gente mostrou que, com uma taxa de vacinação alta, a gente pode atingir patamares de até 80% de redução no número de mortes, por exemplo, dentro desta onda epidêmica”, diz Vilches.

O estudo considera como uma alta taxa de vacinação diária 1,3 milhões de aplicações, o que é factível de acordo com a capacidade do Programa Nacional de Imunização se não houvesse escassez de doses no Brasil. “A gente estimou 65% de redução no número de mortes com a Coronavac e 75% com a AstraZeneca”, explica o pesquisador.

Segundo o pesquisador, o estudo já foi apresentado às autoridades públicas de São Paulo a fim de reforçar a importância da celeridade do processo. 

“Existem alguns professores da Unesp envolvidos no estudo, entre eles, o Professor Carlos Fortaleza que é parte do Comitê do Centro de Contingência do Estado de São Paulo e ele já levou este estudo às autoridades. A ideia é que esse estudo possa servir de argumentação para a campanha rápida de vacinação”, diz.

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