EUA podem ter deixado de identificar mutações da Covid-19 por falta de teste

País com mais casos confirmados do novo coronavírus no mundo, EUA realizam teste de sequenciamento genético em menos de 0,5% das infecções

Exames laboratoriais podem confirmar ocorrência de variantes do novo coronavírus
Exames laboratoriais podem confirmar ocorrência de variantes do novo coronavírus Foto: Ernesto Carriço/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Por Michael Nedelman e Andrea Kane, da CNN

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Os EUA podem estar perdendo importantes mutações do novo coronavírus por conta de uma taxa “desanimadora” de testes de sequenciamento genético, dizem especialistas.

O país deveria sequenciar geneticamente 10% de seus casos confirmados de Covid-19 para monitorar as mutações do vírus – mas os números atuais são de menos de 0,5%.

Angela Rasmussen, virologista do Centro de Ciência e Segurança de Saúde Global da Georgetown University e pesquisadora associada do Centro de Infecção e Imunidade da Universidade de Columbia, disse que os Estados Unidos sequenciam 0,3% dos casos detectados.

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Os laboratórios dos EUA submeteram apenas cerca de 57.700 sequências do coronavírus ao banco de dados genômico GISAID. Em comparação, o Reino Unido apresentou mais de 146.000, apesar de ter muito menos casos confirmados.

Rasmussen considera que a falta de financiamento público para vigilância é um “grande problema”, porque é importante que os funcionários sequenciem continuamente os casos detectados para monitorar as mutações do vírus que podem tornar as vacinas menos eficazes.

Dentro da média desejável, o Reino Unido sequencia cerca de 10% dos casos detectados. Rasmussen disse em um e-mail que os Estados Unidos “deveriam arrecadar pelo menos metade do que o Reino Unido faz, mas o ideal seria atingir 10% ou mais”, disse Rasmussen por e-mail.

Variantes detectadas na Grã-Bretanha e na África do Sul têm padrões de mutação que incomodam os cientistas e parecem tornar o vírus mais facilmente transmitido.

Apenas um punhado dessas variantes foi relatado nos Estados Unidos até agora, embora os especialistas acreditem que a mutação encontrada pela primeira vez em solo britânico seja provavelmente bastante disseminada.

O Dr. Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical do Baylor College of Medicine, reforçou a ideia de que os EUA deveriam ter como objetivo sequenciar 10% de seus casos confirmados.

“Devemos ter 2 milhões de genomas concluídos até agora”, disse ele por e-mail.

Nas próximas duas semanas, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA esperam dobrar o número de amostras geneticamente sequenciadas para 6.500 por semana, de acordo com um funcionário da agência, que também observou que o Reino Unido tem um sistema mais centralizado para sequenciamento genético enquanto os EUA contam com uma colcha de retalhos de laboratórios federais, estaduais, acadêmicos e privados.

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