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    CNN Sinais Vitais

    Exaustão, falta de realização e estresse: como identificar a síndrome de Burnout

    Novas tecnologias, competição no mercado de trabalho e a necessidade de se produzir mais e mais rápido são fatores que contribuem para o esgotamento mental

    Lucas RochaAlexandre PetilloCarolina Marcelinoda CNN Brasil Soft

    em São Paulo

    Exaustão emocional, falta de energia e baixa realização profissional são apenas alguns dos sintomas que caracterizam a síndrome de Burnout.

    A condição, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “resultante de um estresse crônico associado ao local de trabalho que não foi adequadamente administrado”, passou a ser reconhecida como fenômeno ocupacional.

    “O Burnout vem caracterizado em três dimensões que é a exaustão emocional, a despersonalização e a baixa realização profissional. A exaustão emocional, a característica dela é um esgotamento. A imagem que a gente pode fazer é de um palitinho de fósforo que queimou até o final. Então, se esgotou em termos de combustível, acabou”, explica a psicóloga Miryam Mazieiro, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).

    Especialistas consultados pela CNN apontam que diferentes fatores contribuem para que as pessoas permaneçam mais tempo “ligadas” ao trabalho. O assunto foi amplamente discutido no episódio “Saúde mental no trabalho”, do CNN Sinais Vitais, apresentado pelo cardiologista Roberto Kalil (veja a íntegra no vídeo acima).

    Novas tecnologias, a grande competição no mercado de trabalho, a necessidade de se produzir mais e mais rápido e o aumento da modalidade de trabalho em casa, o home office, são algumas questões que tornam difícil desconectar a mente. Para os especialistas, essa rotina pode acelerar um desgaste físico e emocional.

    “O termo Burnout foi criado há bastante tempo, tem mais ou menos 50 anos. E ele serve para designar um conjunto de sintomas, de alterações que as pessoas sentem quando estão expostas a um estresse prolongado no trabalho, que elas não conseguem lidar de uma maneira positiva”, explica Eduardo de Castro Humes, coordenador do Ambulatório da Divisão de Psiquiatria e Psicologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

    A psiquiatra Alexandrina Maria Meleiro, da Associação Nacional de Medicina do Trabalho, afirma que o Brasil se tornou um terreno fértil para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout.

    “O Brasil é o primeiro país no mundo no índice de ansiedade – 9,3% dos brasileiros têm ansiedade. E é o quinto no mundo de depressão, só perdendo na América para os Estados Unidos. Então, nós temos uma incidência muito alta, uma prevalência de depressão e ansiedade e claro que isso atinge o trabalhador. Em média, 30% são afastados e é um dos motivos de mais incapacidade para o trabalhador”, afirma Alexandrina.

    A pesquisadora Catarina Dahl, consultora de saúde mental, álcool e outras drogas da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da OMS, explica que a síndrome foi incluída na lista das doenças ocupacionais reconhecidas pela entidade.

    Os indivíduos diagnosticados passam a ter as mesmas garantias trabalhistas e previdenciárias previstas para as demais doenças do trabalho. Catarina destaca como algumas profissões ficaram mais propensas a ter trabalhadores acometidos pela síndrome durante a pandemia de Covid-19.

    “Tem uma série de profissões que são, digamos assim, mais comuns de se observar esse tipo de fenômeno. Trabalhadores da área da saúde, submetidos a situações de extremo estresse, tendo que lidar com perdas muito significativas, com o medo de contaminação, com incerteza às vezes com condições de trabalho que não são favoráveis”, pontua Catarina.

    Sinais podem indicar problemas na saúde mental

    Burnout na ginástica artística

    A ginasta Flávia Saraiva relata à CNN que também sofreu com o Burnout. “Eu tive a síndrome em 2019, foi um ano que juntou muita coisa. Muitas competições, foram mais de dez competições, e para ginástica é muita coisa. Acabei tendo uma lesão no joelho e fiquei meio desanimada”, conta.

    “Voltava a treinar, ficava muito cansada. Comecei a ter muita dificuldade de dormir, dormia no máximo três horas por noite. Para quem treina 7 horas por dia, precisa dormir no mínimo 8 horas de sono por noite, e não dormia nada. Chegava no ginásio e chorava, sentia medo”, completa a ginasta.

    Para sair dessa dinâmica, a ginasta relata que precisou entender e aceitar o que estava passando. “As pessoas que me ajudaram muito foram meu treinador, as minhas colegas de treino, a minha psicóloga, minha família, porque eu precisava desse abraço”, relembra Flávia.