Febre do Nilo Ocidental não tem vacina e nem remédio, diz especialista
Tratamento é focado nos sintomas relacionados; maioria dos casos é assintomática
Quatro casos da Febre do Nilo Ocidental foram confirmados recentemente no Brasil: dois em São Paulo e dois em Santa Catarina, sendo que um evoluiu para o óbito de uma mulher de 77 anos. Um quinto caso no Piauí é investigado pelo Ministério da Saúde, mas ainda não foi confirmado.
A doença é assintomática na maioria dos casos, mas pode evoluir para inflamação no sistema nervoso e, em situações raras, para a morte.
O médico infectologista José Antonio Pozza, membro do comitê de arboviroses da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), alerta que a doença não tem vacina, remédio ou forma ampla de prevenção.
Sem vacina nem comprimido
Não existem fármacos específicos para tratar o vírus. O tratamento é sempre relacionado aos sintomas mais evidentes. “Em várias doenças virais que são assintomáticas ou têm uma letalidade baixa, a gente não tem muita pesquisa em relação a essas doenças. O que a gente tem de tratamento é algo de suporte e básico, com hidratação, repouso, medicamento sintomático para dor ou enjoo”, explica o médico.
Cinquenta a 80% dos casos são assintomáticos. Nos demais, a infecção causa sintomas considerados leves, como febre, náusea, vômito e dor muscular. Porém, 1 em cada 150 indivíduos pode desenvolver doenças neurológicas severas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda, segundo o Ministério da Saúde. Os indivíduos também podem apresentar fraqueza, sintomas gastrointestinais e alteração no “padrão mental”.
“Em casos em que você tem o agravamento com complicação neurológica, os pacientes podem precisar de vigilância maior, internação em UTI, entubação e ventilação mecânica. Infelizmente, em matéria de antiviral e vacina, não tem nada de prevenção nem tratamento”, completa o especialista.
Pozza avalia que não existe uma vacina para a doença porque a incidência é baixa em todo o mundo. “Talvez ela não desperte tanta preocupação quanto outras que circulam com frequência ou tenham alta letalidade. A gente tende a desenvolver tecnologia para aquilo que é mais grave”, diz o infectologista, ao explicar que a presença da doença no sangue tem duração curta.
Prevenção possível
De acordo com o Ministério da Saúde, as principais áreas de risco para contaminação pela doença estão em espaços rurais e silvestres.
Esses locais são habitualmente frequentados por aves silvestres, responsáveis pela transmissão do vírus aos mosquitos, principalmente os pernilongos que, por consequência, transmitem a doença aos seres humanos. Uma recomendação viável é evitar essas áreas, além de usar roupas que cubram a maior parte do corpo e repelente.
Indivíduos idosos ou imunossuprimidos representam o maior grupo de risco para a doença e devem ficar atentos aos sintomas.

