Fila de espera por leitos de UTI no RJ já supera tamanho da rede SUS na capital

Cidade tem 705 leitos operacionais; 710 pessoas aguardam por uma vaga nos 92 municípios do estado

Enfermeira trata paciente com Covid-19 na UTI de hospital
Enfermeira trata paciente com Covid-19 na UTI de hospital Foto: Amanda Perobelli/Reuters (3.jun.2020)

Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro

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A fila de espera por um leito de terapia intensiva em todo o estado Rio de Janeiro bateu o sexto recorde consecutivo e chegou a 710 pessoas, segundo a Central de Regulação da secretaria fluminense de Saúde.

Esse número já supera a oferta deste tipo de serviço em toda a rede SUS da capital do estado que é de 705 leitos operacionais, de acordo com o 12º Boletim Epidemiológico do município, divulgado na última sexta-feira (26). 

Segundo o mesmo documento, a capacidade instalada na cidade é de 826 leitos de terapia intensiva, incluindo as redes municipal, estadual, federal e particular contratada.

Para que todos eles entrem em operação, é necessário reabrir equipamentos dos seis hospitais da rede federal na cidade. 

O processo, segundo o Ministério da Saúde, está em andamento, e serão 271 leitos. Deste total, 104 de terapia intensiva e 167 de enfermaria que serão disponibilizados nas próximas semanas.

Na capital, a fila é menor: são 1.337 pacientes internados com Covid-19 e 188 pessoas aguardando vagas. No entanto, os novos leitos abertos seriam ofertados na Central de Regulação e atenderiam moradores de todos os 92 municípios. 

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professor da Faculdade de Medicina da UFRJ, Alberto Chebabo, entende que é impossível atender à demanda. 

Equipe médica cuida de pacientes em área de emergência de hospital
Equipe médica cuida de pacientes em área de emergência de hospital
Foto: Diego Vara/Reuters

“O raciocínio de abertura de leitos para correr atrás da demanda é equivocado e não existe em nenhuma parte do mundo. Não dá para abrir uma oferta de leitos do tamanho da capital para resolver problema”, disse.

Para ele, esse problema pode ser resolvido de duas formas: “Com vacinação, que não é o que podemos fazer agora, porque não há vacinas o suficiente, e reduzindo o número de doentes. E isso só se faz com lockdown, com medidas restritivas mais duras”, afirma. 

Mesmo que fosse possível ampliar a oferta de leitos de UTI para atender à toda fila, o especialista reforça que a medida seria pouco efetiva na redução do número de mortes.

“Hoje temos uma taxa de 80% de mortes de pacientes intubados em terapia intensiva. Então, o que temos é que evitar que as pessoas fiquem doentes, para que não seja necessário chegar a esse estágio”, conclui.

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