Filhotes de éguas imunizadas com soro anticovid nascem com anticorpos

Pesquisa do Instituto Vital Brazil, que está na fase pré-clínica, imunizou dez animais, incluindo três éguas prenhas

Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro

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Pesquisadores do Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro, identificaram a presença de anticorpos contra o novo coronavírus no sangue de potros nascidos de três éguas, que participam do experimento para produção do soro anticovid-19

O medicamento é feito a partir do plasma (parte branca do sangue) de cavalos, que recebem semanalmente pequenas doses da proteína S recombinante do coronavírus, produzida pela Coppe/UFRJ.  

Os cientistas já sabem que a quantidade de anticorpos produzidos pelos cavalos é maior do que a de humanos que se recuperaram da doença. O próximo passo da pesquisa será fazer a quantificação de anticorpos no plasma dos potros. A partir daí, os pesquisadores poderão determinar se os filhotes das éguas também conseguem produzir mais anticorpos do que uma pessoa convalescente. 

O experimento para a produção do soro revelou ainda que o leite das éguas prenhas também continha anticorpos contra o coronavírus. 

Atualmente, a pesquisa de desenvolvimento do soro anticovid está na fase pré-clínica, ou seja, em testes em animais, e a expectativa é que haja liberação para o início dos testes em humanos até outubro desse ano.   

A presidente do Instituto, Priscilla Palhano, afirmou que a visita de inspeção dos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi agendada para a última semana de agosto.  

“Estamos confiantes de que atenderemos todas as exigências do órgão regulador e que obtendo a aprovação da Anvisa para começar os testes clínicos, já possamos iniciar o envase do soro ainda em setembro” afirma Palhano. 

Os testes em humanos serão realizados em parceria com o Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa e prevê a aplicação do medicamento em 41 pacientes. A pesquisa já foi aprovada pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisas (Conep) em dezembro de 2020. Tanto a aprovação da Conep quanto da Anvisa são necessárias para que os testes em humanos possam ser iniciados. 

Em maio desse ano, a Anvisa aprovou o teste em humanos de um soro também produzidos em cavalos. O medicamento desenvolvido pelo Instituto Butantan apresentou bons resultados em laboratório na diminuição da carga viral. Ao contrário do soro desenvolvido no Vital Brazil, ele usa o vírus inativado.  

Na Argentina, um produto similar, também produzido a partir de anticorpos obtidos de cavalos vacinados, foi aprovado no ano passado para tratamento de pacientes com Covid-19 e apresentou resultados animadores, segundo especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).   

A pesquisa com soro anticovid teve início em maio de 2020, quando cinco cavalos foram ‘’imunizados” com a proteína S recombinante do coronavírus, produzida pelo Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (LECC) da Coppe/UFRJ. 

Depois de sete semanas, o estudo revelou que os animais apresentaram de 20 a 100 vezes mais anticorpos neutralizantes contra o novo coronavírus do que os plasmas de pessoas que tiveram a doença. Para a presidente do Instituto Vital Brazil, Priscila Palhano os anticorpos de cavalos são uma grande esperança de tratamento possível e específico para a Covid-19.  

“O Instituto Vital Brazil possui know how em produção de soros hiperimunes a partir do plasma de cavalos há mais de 100 anos. O uso potencial da imunização passiva por esse tipo de terapia representa um caminho viável de combate à Covid. Os soros produzidos pelo Instituto Vital Brazil têm excelentes resultados de uso clínico, sem histórico de hipersensibilidade ou quaisquer outras eventuais reações adversas há décadas”, explica a presidente do Instituto.   

Potros nascem com anticorpos contra o novo coronavírus no RJ
Potros nascem com anticorpos contra o novo coronavírus no RJ
Foto: Reprodução/CNN Brasil

O Instituto, que completou 100 anos em 2019, pertence ao Governo do estado do Rio de Janeiro e é um dos quatro fornecedores de soros contra o veneno de animais peçonhentos para o Ministério da Saúde. 

O estudo reúne cientistas do Instituto Vital Brasil, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fundação Oswaldo Cruz e Instituto D’or de Ensino e Pesquisa.  A pesquisa recebeu aportes financeiros da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado Rio de Janeiro (Faperj), do Governo do Estado do Rio de Janeiro, e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Governo Federal.

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