Fiocruz aponta riscos da infecção pelo coronavírus em pessoas não vacinadas

Segundo o estudo, imunização gerada pelos anticorpos pode desencadear uma série de inflamações, o que não ocorre em vacinados

Breno Esaki/Agência Saúde DF

Iuri CorsiniNathalie Hanna Alpacada CNN

no Rio de Janeiro

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Um estudo coordenado pelo grupo de Imunopatologia, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Minas), em parceria com a Escola de Medicina da Universidade de Harvard, constatou que a imunização natural gerada pelos anticorpos humanos ao contrair Covid-19 pode desencadear uma série de inflamações.

O estudo mostrou que quando a imunização é gerada pelas vacinas, esse risco não ocorre, o que reforça ainda mais a importância da vacinação contra o vírus. A pesquisa vem no mesmo momento em que a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Carissa F. Etienne, pediu aos países que permaneçam vigilantes e que preencham urgentemente “as lacunas de vacinação”.

Estudos anteriores já apontavam que as formas graves de Covid-19 estavam relacionadas à geração de inflamações excessivas geradas pelo SARS-CoV-2, mas as dinâmicas desse processo inflamatório ainda não eram bem compreendidas. A análise feita indica que quando o vírus entra no organismo, o sistema de defesa é acionado para combater a infecção. Para isso, é produzido um tipo específico de anticorpo, chamado de afucosilado.

Esse anticorpo muitas vezes consegue neutralizar e impedir que o vírus chegue nas células do pulmão. Porém, em contrapartida, esse processo de defesa do organismo acaba desencadeando uma produção de novas células de defesa, que geram uma cascata inflamatória, como explica a pesquisadora Caroline Junqueira, coordenadora do estudo.

“Os processos inflamatórios desencadeados são, principalmente, a tempestade de citocinas, e a liberação de moléculas na circulação. Todas essas citocinas e moléculas, que são do interior das células, são vistas pelo sistema imune como uma forma de potencializar essa resposta inflamatória sistêmica. Quando você tem uma inflamação, a ideia é eliminar o patógeno. Mas quando o próprio sistema imune ativa esta eliminação, gera a inflamação exacerbada”, disse Junqueira.

Esses processos de inflamações exacerbadas não acontecem com a imunização a partir das vacinas contra a Covid-19, o que mostra os riscos da chamada imunização de rebanho.

“Isso significa que se você pega Covid, você desenvolve anticorpos patogênicos, ou seja, que podem causar doenças. Quando você toma a vacina, você desenvolve anticorpos protetores. Ou seja, a ideia de que se você pegar Covid está ‘se vacinando’ está errada. Ou seja, a infecção gera anticorpos maléficos, e a vacina produz anticorpos benéficos”, disse a coordenadora do estudo.

Esse reforço em relação a importância da vacinação tem sido corroborado por outros estudos, como o divulgado em nota publicada pela Opas na quarta-feira (6). A organização fez um alerta chamando atenção para o fato de que 240 milhões de pessoas ainda não receberam nenhuma dose da vacina nas Américas.

Apesar da queda significativa de casos e mortes por Covid-19, Carissa pontuou que tem havido um aumento de casos na Europa e no Leste da Ásia em decorrência da Ômicron BA.2 e que a dinâmica de infecção ocorrida no Velho Continente costuma se refletir nos países latino-americanos algumas semanas depois.

“Não podemos ignorar o risco de novos surtos de Covid-19. Mas agora sabemos o que é preciso para proteger nosso povo”, disse a diretora se referindo à imunização através das vacinas, que completou dizendo que a baixa vacinação em alguns locais “manterão nossa região em risco durante ondas futuras”.

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