Fiocruz cobra ‘reposição de cérebros’ para desenvolver vacina contra Covid-19

Presidente da fundação, Nísia Trindade fez um apelo para que Paulo Guedes libere a contratação de concursados já aprovados

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Foto: Erasmo Salomão/Divulgação/MS

Noeli Menezes, da CNN,

em Brasília

Ouvir notícia

A presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, fez um apelo nesta quarta-feira (1º) para que o Ministério da Economia libere a contratação de concursados já aprovados para trabalhar na Fiocruz. Segundo ela, a “reposição de cérebros é muito importante neste momento” em que a fundação participa do desenvolvimento da vacina contra Covid-19.

Em audiência da comissão externa da Câmara que acompanha as ações de enfrentamento à pandemia, Nísia disse que houve “um número de aposentados muito grande” nos últimos anos. “Temos equipe trabalhando em três turnos, de maneira constante, não apenas na vacina, mas também na testagem. É um trabalho em várias frentes”, explicou.

Ela afirmou ainda que a pesquisa em parceria com a Universidade Oxford, anunciada no sábado (27), está em estágio avançado, assim como as negociações para que o Brasil possa receber a transferência total da tecnologia da vacina.

Leia também:

Advogado tira dúvidas sobre planos de saúde na pandemia; saiba seus direitos

Vacina da Pfizer e BioNTech para Covid-19 mostra potencial em teste em humanos

A unidade da Fiocruz de Bio-Manguinhos ficará responsável pelo desenvolvimento da imunização, cuja produção inicial será de 30,4 milhões de doses, divididas em duas etapas, em dezembro de 2020 e janeiro de 2021. O custo inicial, bancado somente pelo governo brasileiro, é de US$ 127 milhões. Se a eficácia ficar comprovada, outros 70 milhões de doses serão produzidos.

Primeiros resultados

A diretora médica da AstraZeneca Brasil, Maria Augusta Bernardini, disse que os primeiros resultados preliminares dos testes clínicos com voluntários podem estar disponíveis já em outubro ou novembro.

Segundo a relatora da comissão, deputada Carmen Zanotto (Cidadania), os parlamentares tinham uma preocupação em relação aos insumos e à logística da cadeia de produção e distribuição da vacina. Bernadini esclareceu que “não existe nenhuma exigência fora do comum para vacinas”. “Só seringa e agulha normais e é diluída em soro fisiológico.”

Da mesma forma, uma representante do Programa Nacional de Imunização, da SVS do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explicou que a pasta possui expertise na distribuição de vacinas e que as unidades de saúde estão preparadas.

Francieli afirmou que o MS ainda está analisando quais serão os grupos prioritários que receberão a imunização primeiro. “Num primeiro momento, devem ser vacinados os profissionais de saúde, população idosa, ainda sem definição da faixa etária desse público, e pessoas com comorbidades”, declarou.

Outra preocupação levantada pelos deputados foi sobre a necessidade de refrigeração especial das doses. A diretora médica da AstraZeneca Brasil reconheceu que atualmente as doses em teste são armazenadas em temperaturas abaixo dos 80 graus Celsius. No entanto, assegurou que estudos de estabilidade estão sendo realizados pela Universidade de Oxford para que a vacina possa ser acondicionada em freezer com temperatura de –8 graus Celsius, que são os disponíveis nas unidades de saúde brasileiras.

Multilateralismo

O embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, disse que a pandemia é um desafio mundial que reafirma a importância da cooperação internacional. Ele destacou os esforços do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, para atrair investimentos multilaterais para pesquisa da vacina contra a Covid-19. E defendeu uma distribuição equitativa dos resultados das pesquisas. “Todos os países precisam estar unidos para que ninguém fique para trás ou nós mesmo estaremos sob o risco de sofrer uma segunda onda da pandemia.”

Rangarajan ressaltou também a importância de os países fortalecerem seus sistemas de saúde. “Os sistemas de saúde do Reino Unido e do Brasil são parecidos, são universais. Então todos nós estamos pensando no futuro dos nossos sistemas de saúde. É um tema muito importante para conversa contínua, porque esse vírus não é o último desafio de saúde que teremos nos próximos anos. Como fortalecer nosso sistema nacional de saúde e também o sistema internacional de saúde.”

Texto atualizado nesta quinta-feira (02) para correção de informação sobre a fala sobre armazenamento da vacina, que foi feita pela diretora médica da AstraZeneca Brasil, Maria Augusta Bernardini, e não pela presidente do IDOR, Fernanda Toval Moll

Mais Recentes da CNN