Fiocruz inicia teste de efetividade da vacina da AstraZeneca no Complexo da Maré

Experiência começa na próxima quinta (29) com a vacinação em massa de todos os 140 mil moradores do complexo de favelas

Movimentação em rua do Complexo da Maré, na zona norte do Rio
Movimentação em rua do Complexo da Maré, na zona norte do Rio Foto: Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo

Elis Barreto, da CNN, no Rio de Janeiro*

Ouvir notícia

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciará um estudo inédito para testar a efetividade da vacina AstraZeneca/Oxford, no complexo de favelas da Maré, na capital do Rio de Janeiro.

De acordo com o coordenador do projeto, o médico Fernando Bozza, a pesquisa será dividida em duas etapas para testar a proteção direta e indireta do imunizante. 

A primeira parte será a de vacinação em massa, que será do dia 29 de julho ao dia 1º de agosto, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio.

Os pesquisadores irão imunizar com a primeira dose da vacina de Oxford toda a população acima de 18 anos que reside na Maré.

A expectativa é antecipar a vacinação de 31 mil pessoas, e manter a vigilância epidemiológica dos mais de 140 mil cariocas que moram na comunidade. 

À CNN, Bozza explicou que vai analisar a proteção direta da vacina. “O desenho dessa primeira parte do estudo é identificar os testes positivos para a doença, e se a pessoa foi vacinada ou não. É um processo clássico para testar a efetividade vacinal. Você quantifica tanto os sintomáticos, quanto os vacinados, e calcula a proteção.”, disse.

A segunda fase, segundo o coordenador do estudo, consiste no acompanhamento, durante seis meses, de duas mil famílias, somando aproximadamente oito mil indivíduos.

“O outro desenho é um grupo de pessoas específico, para testar o que chamamos de imunidade indireta. Dessa forma, analisamos como a vacinação em larga escala afeta também quem não foi imunizado. Por exemplo, a gente vai intensificar a vigilância nas escolas e em menores de 18 anos, para incidência nesse grupo.”, finaliza o médico.

Segundo a Fiocruz, as duas frentes do estudo serão conduzidas simultaneamente. 

Além da vacinação em massa, o acompanhamento e testagem dos moradores serão usados para a vigilância genômica da doença no local. Todas as amostras colhidas serão sequenciadas pela fundação, para análise de quais linhagens e variantes estão em circulação.

De acordo com Fernando Bozza, o sequenciamento genômico possibilita tanto a identificação de variantes que já são conhecidas, como novas mutações do vírus.

“Identificar as linhagens ajuda a compreender as cadeias de transmissão da Covid-19 na Maré. A gente consegue entender as dinâmicas de transmissão dentro da favela, se a linhagem vem de fora do local, ou se está em circulação ali.”, disse.

O estudo de vigilância genômica que teve início no mês de junho na Maré, já sequenciou cerca de 150 amostras positivas de moradores, colhidas através do Conexão Saúde.

O projeto foi criado no ano passado durante a pandemia, e oferece gratuitamente serviços de testagem, telessaúde e apoio no isolamento domiciliar a pessoas com Covid.

Até agora, das amostras sequenciadas, a linhagem predominante é a P1, identificada inicialmente em Manaus. Até agora, nenhuma amostra da variante Delta foi detectada.

*Sob supervisão de Thayana Araújo

Mais Recentes da CNN