Geriatra responde: pessoas mais velhas já podem sair de casa?
Médico tira dúvidas sobre a flexibilização da quarentena para pessoas mais velhas em meio à pandemia de Covid-19
Apesar da flexibilização da quarentena em muitas cidades brasileiras, idosos ainda precisam ter cuidado para relaxar as medidas de isolamento social, segundo Natan Chehter, geriatra da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e do hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. À CNN, o médico explicou neste domingo (19) que é válido observar a particularidade de cada indivíduo, mas, como regra geral, o ideal é permanecer em casa, se possível.
"Tem idosos que se deram bem em ficar em casa e estão aceitando isso na medida do possível, mas tem idosos que nunca aderiram ao isolamento e fizeram o possível para escapar de ficar em casa. Sempre temos que nos perguntar os riscos e benefícios de qualquer conduta médica", disse o geriatra.
Ele completou que pessoas mais velhas com ansiedade, por exemplo, podem se beneficiar de passeios nas ruas. "Se o idoso está bem em casa, o médico não irá recomendar para dar volta na rua, mas aquele que precisa tem que conseguir equilibrar o risco e benefício."
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Outro caso citado pelo especialista é o de pessoas mais velhas que costumavam praticar exercícios ao ar livre. Esses devem retomar aos poucos as atividades.
"Na medida do possível, a retomada da atividade física deve ser feita, mas de forma gradual. Não ter se mantido inativo [durante a quarentena] ajuda nessa retomada", disse Chehter, que ressaltou que o idoso deve procurar o médico para uma melhor orientação sobre a retomada de práticas esportivas.
O geriatra também destacou que todos os idosos devem retomar o contato com seus médicos, pois houve queda significativa no atendimento dessa população durante a pandemia.
"Nos últimos meses, vimos uma fuga dos pacientes dos consultórios e isso, de certa forma, impacta nos cuidados que temos que ter com eles".
Chehter disse que a liberação da telemedicina foi um recurso útil, mas não substituiu a consulta presencial. "Na medida em que as pessoas estão podendo sair um pouco mais, é importante pensar a consulta médica como uma das prioridades ao sair de casa", concluiu.
(Edição: Bernardo Barbosa)