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    Novo estudo aponta que hidroxicloroquina não evitou Covid-19 em voluntários

    Quatro dos 64 voluntários que receberam o remédio foram infectados pelo novo coronavírus e quatro dos 61 voluntários que receberam um placebo testaram positivo

    Estudo concluiu que hidroxicloroquina não previniu infecções por Covid-19 entre voluntários
    Estudo concluiu que hidroxicloroquina não previniu infecções por Covid-19 entre voluntários Foto: George Frey - 27.mai.2020 / Reuters

    Jacqueline Howard, da CNN

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    A hidroxicloroquina, um medicamento contra a malária que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que tomou na esperança de se proteger do novo coronavírus, não preveniu infecções entre voluntários, de acordo com estudo divulgado na quarta-feira (30).

    Encerrada precocemente, a pesquisa envolveu 125 profissionais de saúde. Alguns tomaram hidroxicloroquina diariamente por oito semanas, enquanto os outros tomaram um placebo.

    “Não houve diferença significativa nas taxas de infecção em participantes randomizados que receberam hidroxicloroquina em comparação com placebo”, escreveram os pesquisadores no estudo, publicado na revista JAMA Internal Medicine.

    Com base nas descobertas, os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia escreveram que “não podem recomendar o uso rotineiro de hidroxicloroquina” entre profissionais de saúde para evitar a Covid-19.

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    Os participantes foram avaliados entre abril e julho. Quatro dos 64 profissionais de saúde que receberam hidroxicloroquina aleatoriamente terminaram com teste positivo para Covid-19 e quatro dos 61 profissionais de saúde que receberam um placebo testaram positivo.

    Ainda de acordo com o estudo, entre os oito participantes com teste positivo, seis desenvolveram sintomas, mas nenhum necessitou de hospitalização e todos se recuperaram clinicamente da doença.

    No geral, os resultados da nova pesquisa são semelhantes ao que foi relatado em outro estudo no New England Journal of Medicine em junho. Esse estudo anterior descobriu que a hidroxicloroquina não evitou a doença quando usada dentro de quatro dias após a exposição ao novo coronavírus, que causa a Covid-19.

    Em junho, o doutor David Boulware, autor do estudo anterior, disse à CNN que o médico do presidente lhe enviou um email em 9 de maio pedindo sua opinião sobre o uso preventivo do medicamento e perguntando sobre os resultados do estudo e a dose que os participantes do estudo estavam tomando.

    Hidroxicloroquina, coronavírus
    Profissional de saúde segura caixa de hidroxicloroquina em hospital de Porto Alegre
    Foto: Diego Vara – 26.mai.2020/Reuters

    Boulware contou que avisou ao médico de Trump que não havia pesquisa publicada mostrando que a hidroxicloroquina funcionava preventivamente. Além disso, ele avisou que as pessoas em seu estudo que tomaram hidroxicloroquina tiveram taxas mais altas de efeitos colaterais, principalmente problemas gastrointestinais, como náuseas e vômitos.

    “Eu sabia que eles provavelmente iriam ignorar o que eu disse porque a Casa Branca vinha falando sobre hidroxicloroquina há algumas semanas”, afirmou Boulware, especialista em doenças infecciosas e professor de medicina da Universidade de Minnesota.

    “Mesmo no cenário de uma pandemia, precisamos de pesquisas para ajudar a informar as melhores práticas para o que funciona em humanos.”

    Em julho, a FDA, agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA, revogou uma autorização de uso de emergência para hidroxicloroquina e cloroquina para tratar Covid-19. A agência agora diz que a hidroxicloroquina e a cloroquina não se mostraram seguras e eficazes para tratar ou prevenir a Covid19.

    Elizabeth Cohen, da CNN, contribuiu para essa reportagem.

    (Texto traduzido; leia o original em inglês)

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