Impossível falar em relaxar isolamento agora, diz secretário de Saúde de SP

Segundo o secretário, mesmo com o isolamento, alguns hospitais que são referência para o tratamento da COVID-19 estão com 98% de ocupação

Da CNN, em São Paulo

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O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse à CNN, nesta quarta-feira (22), que é impossível falar em medidas de relaxamento de isolamento neste momento. A declaração foi feita na véspera do anúncio do governo estadual sobre a medida de reabertura gradual do comércio.

“Se não fosse o isolamento social decretado pelo prefeito Bruno Covas, aqui na cidade, e também pelo governador [João Doria], nós evidentemente estaríamos hoje em uma situação muito mais agravada. O nosso sistema de saúde estaria muito mais pressionado”, avaliou. 

Segundo ele, mesmo com o isolamento, alguns hospitais que são referência para o tratamento da COVID-19 estão com 98% de ocupação. “Portanto, neste momento, é absolutamente impossível de se falar em relaxamento das medidas de isolamento. Elas nos ajudam para que a gente tenha um pouco mais de tempo para preparar o sistema de saúde, comprar equipamentos, abrir novos leitos, caso a doença venha a se agravar na nossa cidade, então, neste momento, não é hora de se falar em relaxamento dessas medidas”, frisou.

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De acordo com o secretário, a fila de testes para a COVID-19 foi praticamente zerada, nesta quarta, pelo Instituto Adolfo Lutz. “Na manhã de hoje, teremos os últimos 4 mil testes da capital processados, o que para nós é bastante importante”, informou ele.

Aparecido afirmou que a maior parte dos hospitais da cidade fica na periferia e que “são esses que, no momento, sofrem a maior pressão”. “Parelheiros, Cidade Tiradentes, Itaquera e Pirituba estão chegando ao limite de atendimento e ocupação”, disse. 

Em relação ao caso de um médico que morreu após se automedicar com cloroquina, o secretário afirmou que ainda não tem informações mais detalhadas sobre o caso, frisou que a automedicação não é orientada pela secretaria, mas defendeu que trata-se de “uma decisão clínica de cada profissional”.

Até o momento, há o registro de 12 mortes de profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e um agente de saúde. “Poderíamos estar numa situação muito agravada”, afirmou. “Infelizmente, toda a população é suscetível ao novo coronavírus. É muito preocupante e a gente tem que ter, neste momento, uma estratégia mais adequada possível, por isso o isolamento social ainda é um instrumento importante”.

Aparecido disse que ainda não houve nenhum contato do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, com a secretaria. “Nós não falamos ainda com o ministro e, obviamente, desejamos muita sorte neste momento. Normalmente, esse contato é feito pela Secretaria Estadual de Saúde em conjunto conosco, mas ainda não tivemos nenhum contato”, explicou.

 

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