“Já era esperado”, diz Dalcolmo sobre escolha da OMS para Fiocruz fabricar vacina

Fundação vai desenvolver e produzir novo imunizante contra Covid-19 com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), na América Latina

Produção da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro
Produção da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro Rodrigo Pereira/Fundação Oswaldo Cruz

Beatriz PuenteThayana Araújoda CNN

no Rio de Janeiro

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A pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo não se surpreendeu com a escolha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que a fundação desenvolva e produza uma nova vacina contra a Covid-19.

“Já era esperado”, disse à CNN, para depois justificar que a seleção da OMS levou em consideração o fato de a Fiocruz já ter uma planta nova para fabricar o imunizante contra o coronavírus com IFA brasileiro. A entrega deste trabalho está prevista para novembro deste ano.

Atual produtor da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca no Brasil, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fiocruz, no Rio de Janeiro, já começou a fase de testes do novo imunizante com o antígeno em roedores. O próximo passo é iniciar os testes em primatas. Após esses dois estágios da etapa pré-clínica, o imunizante passará por mais três fases de análises clínicas (em humanos).

Técnicos da OMS vão fazer uma visita a Bio-Manguinhos, que deve contar com reforço de especialistas internacionais. De acordo com Dalcolmo, a Fiocruz apresenta um trabalho de boa qualidade e tem expertise quando o assunto é produção de vacinas. A pesquisadora reforçou a importância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na supervisão dos trabalhos. “Tudo passa pela Anvisa”, afirmou.

À frente do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como referência para a OMS em Covid-19 nas Américas, a virologista Marilda Siqueira disse que a escolha pela Fiocruz para produzir a nova vacina é uma notícia extremamente positiva porque os pesquisadores pretendem fazer com que o imunizante também ative mecanismos para aumentar a proteção contra as novas cepas do coronavírus. A fórmula ensinará o organismo a fabricar a proteína S do SARS-CoV-2 e desencadeará o processo de defesa.

A virologista também é pesquisadora da Rede Genômica Fiocruz e do Ministério da Saúde e atuou na identificação da variante Delta em pelo menos seis estados. Ela reforçou que, apesar da diminuição de casos e internações, o coronavírus está evoluindo e adquirindo mutações.

Ainda não há prazo para que a vacina entre em estágio de testes clínicos, em humanos. Essa decisão dependerá dos resultados preliminares dos estudos em animais e precisa ser discutida com a OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A intenção é de que a produção da vacina na Fiocruz atenda a toda a América Latina.

Até o momento, a elaboração do imunizante foi custeada por recursos da Fiocruz recebidos do Ministério da Saúde. A expectativa é que isso reduza o valor final da vacina para os países da América Latina. A OMS, por meio da Opas, colocará à disposição da Fiocruz uma equipe de especialistas internacionais com experiência em desenvolvimento e produção de imunizantes para contribuir com os estudos.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou, no dia 21 de setembro, a seleção da Fiocruz no Brasil e da empresa biofarmacêutica privada Sinergium Biotech, na Argentina, como os dois centros regionais para o desenvolvimento e produção de vacinas de RNA mensageiro (mRNA) na América Latina, a fim de enfrentar a Covid-19 e os futuros desafios de doenças infecciosas .“Parabenizamos os dois centros selecionados”, afirmou, na ocasião, Jarbas Barbosa, subdiretor da Opas.

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