Macarrão é vilão na alimentação? Entenda e conheça outras opções à massa
Alternativas à massa tradicional podem deixar o prato mais leve, mas o macarrão não precisa ser visto como vilão

O espaguete é um dos pratos mais populares do mundo e costuma levantar dúvidas sobre sua relação com a saúde. Afinal, trocar a massa tradicional feita de trigo por versões feitas de vegetais ou grãos diferentes é realmente necessário para que o prato seja mais saudável? Já adianto que a resposta depende mais do contexto do que da massa em si.
O macarrão tradicional, feito de trigo, é fonte de energia e pode fazer parte de uma refeição equilibrada. Ele fornece carboidratos importantes para o nosso organismo e, quando acompanhado de proteínas magras e molhos mais leves, ajuda na saciedade e não interfere na dieta.
“O macarrão tradicional pode fazer parte de uma alimentação saudável, mesmo em dietas para emagrecimento. O que vai determinar o impacto dele na saúde e no peso é a quantidade consumida, a frequência e, principalmente, os acompanhamentos. O que deve ser evitado são os excessos e os molhos muito calóricos, como os à base de creme de leite ou com muita gordura”, explica Bruna Manes, médica pós-graduada em endocrinologia e nutrologia pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).
Outros tipos de ‘massas’
No entanto, há quem prefira outras opções de massas, que não usem o trigo como base. São as chamadas “alternativas ao espaguete” que vêm ganhando espaço, seja pela busca de refeições menos calóricas, seja pela necessidade de variar a dieta ou até mesmo pela intolerância ao trigo presente no macarrão tradicional.
Legumes como abobrinha, cenoura e pupunha se transformam e ganharam versões em fios que se assemelham à massa e funcionam bem como base para molhos de tomate ou de azeite com ervas. Além de mais leves, aumentam o consumo de fibras e reduzem a quantidade de carboidratos refinados do prato.
“Essas substituições fazem sentido quando o objetivo é reduzir inflamação, melhorar digestibilidade, favorecer o emagrecimento, controlar resistência insulínica, além de evitar os efeitos nocivos do glúten do trigo brasileiro, que é um dos piores para a saúde intestinal e imunológica”, acrescenta Giovanna Baleeiro, nutricionista funcional integrativa.
Já as massas feitas com leguminosas, como grão-de-bico, lentilha e feijão, também ganharam destaque nas refeições de quem busca alternativas mais nutritivas do que o macarrão tradicional. Elas concentram mais proteínas e fibras do que a massa comum e são interessantes para quem busca maior saciedade ou segue dietas com restrição ao trigo.
No entanto, é preciso atenção ao consumir essas massas e complementar o prato com proteínas como frango ou carne.
“O problema é que, por terem pouca proteína e quase nada de energia, se forem usadas como substituto único da massa, acabam deixando a refeição com um menor efeito de saciedade e menos nutritiva em proteínas e carboidratos. Além disso, os espaguetes de legumes têm um menor efeito de saciedade e a sensação de fome pode aparecer mais rápido”, explica Felipe Fedrizzi Donatto, nutricionista esportivo.
Mas mais do que escolher o tipo de massa que será usado no preparo da refeição, o ideal é pensar no prato como um conjunto, segundo os especialistas ouvidos pela CNN. O macarrão deve ser apenas uma parte da refeição, e não o prato inteiro. E mais do que pensar em qual tipo de massa usar, é importante se atentar ao molho que vai acompanha-lo.
“Um macarrão de vegetais ou de leguminosas perde seus benefícios se estiver acompanhado de molhos ultracalóricos, com excesso de gordura, embutidos ou creme de leite. Da mesma forma, um macarrão tradicional pode se tornar uma refeição equilibrada se vier acompanhado de molho de tomate caseiro, legumes e proteínas magras. Portanto, é o conjunto do prato que vai determinar se a refeição é saudável ou não”, diz Manes.


