Mais de 3.500 profissionais da saúde são afastados por Covid-19 no RJ
Presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro falou à CNN sobre dificuldades no combate à pandemia
O Rio de Janeiro tem mais de 3.500 profissionais da saúde afastados por causa da Covid-19, além de registrar denúncias por falta de condições adequadas de trabalho. Em entrevista à CNN neste sábado (16), o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, Alexandre Telles, afirmou que o estado vive um colapso na rede de saúde pública.
"Há superlotação nos hospitais e falta de leitos, principalmente em CTIs (Centros de Tratamento Intensivo), que são fundamentais nesse momento para os pacientes que necessitam de ventiladores e cuidados mais intensivos e próximos. A rede do município tem mais de 1 mil leitos fechados e, na rede federal, outros 1 mil leitos também estão fechados. A situação está extremamente difícil porque há pouco compromisso dos gestores em reativar esses leitos", disse o médico.
Telles contou que entre as principais dificuldades na saúde pública do Rio de Janeiro no momento estão a sobrecarga de trabalho, o adoecimento dos profissionais por Covid-19 e a falta de materiais adequados de proteção.
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"É muita pressão e estamos vendo nossos colegas adoecerem. Nas visitas que o sindicato realiza, constatamos a falta de equipamentos de proteção individual e ingressamos na Justiça do Trabalho obrigando estado e município a fornecerem luvas, aventais, toucas, tudo o que estava em falta."
"Muitas vezes esses materiais não são distribuídos na quantidade necessária para o profissional realizar a troca. Ou seja, ele acaba usando um mesmo aventual por 12 horas, sendo que deveria ser trocado a cada atendimento", explicou o especialista. Segundo Telles, o uso repetido de materiais de proteção acaba infectando outros pacientes sem Covid-19 que são atendidos pelo mesmo profissional.
"Isso tudo demonstra algo histórico, que é o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS). É uma situação muito difícil e que esperamos compromisso para reveter isso, pois precisamos valorizar os profissionais e a saúde pública."