Médicos poderão fazer cirurgias eletivas de não vacinados no Rio, diz secretaria

Resolução autoriza medida para pacientes que tenham contraindicação ao uso dos imunizantes

Paciente com Covid-19 na UTI do hospital Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro (RJ)
Paciente com Covid-19 na UTI do hospital Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro (RJ) 18/06/2021REUTERS/Pilar Olivares

Stéfano Sallesda CNN

Rio de Janeiro

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Uma resolução publicada nesta terça-feira (31) pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro permite que os médicos assumam o risco de contágio e realizem cirurgias eletivas em pacientes que não tenham sido imunizados contra a Covid-19. A medida vale para aqueles que tenham contraindicação ao uso dos imunizantes. Neste caso, será necessário apresentar um laudo eletrônico, emitido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz destacou que a medida não representa qualquer grau de flexibilidade na campanha de imunização realizada na capital do estado.

“Na prática, os médicos poderão assumir o risco do contágio e excepcionalizar a necessidade de vacinação para realizar a cirurgia de quem tenha algum tipo de contraindicação ao imunizante. Mas nós continuamos recomendando a toda sociedade que se vacine e queremos imunizar o máximo possível de pessoas”, afirma Soranz.

A norma determina também que os pacientes sejam informados caso algum profissional da equipe cirúrgica eventualmente não esteja vacinado contra a Covid-19. Anunciado na última sexta-feira (27), o chamado “passaporte vacinal” impõe restrições para pessoas que não tenham sido imunizadas. Entre elas, a proibição de acesso sem comprovante de vacinação a locais como academias, estádios, ginásios e pontos turísticos.

As medidas entram em vigor nesta quarta-feira (1) e incluem ainda restrições ao benefício social Cartão Família Carioca, de transferência de renda. Na ocasião do anúncio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) enfatizou que a intenção era premiar as pessoas que acreditaram na ciência e convencer os que ainda não se vacinaram, mesmo estando elegíveis, de receber as doses.

Paes destacou ainda a intenção é realmente a de criar dificuldades que levem as pessoas que não se protegeram contra a Covid-19 a mudar de ideia.

“Não é concebível que as pessoas que achem que vão se proteger sem a devida aplicação do imunizante terão uma vida normal porque não terão. Terão dificuldade de ter acesso a uma cirurgia eletiva, dificuldade no acesso ao programa de transferência de renda. O nosso objetivo é criar um ambiente difícil para aqueles que não querem se vacinar, que esquecem a segunda dose”, afirmou na ocasião.

O município já vacinou 89,8% da população alvo, a partir de 12 anos, com a primeira dose do imunizante, e 44,4% deste público já recebeu a segunda dose ou aplicação única. A rede SUS da capital apresenta 96% de taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva para pacientes com Covid-19 e 795 pacientes internados.

Em âmbito estadual, a taxa é de 72,2%. Três municípios apresentam ocupação de 100% em leitos deste tipo: Belford Roxo, Bom Jesus de Itabapoana e Teresópolis. Outras três cidades apresentam níveis entre 90% e 99%: Duque de Caxias, Guapimirim e Rio das Ostras, além da capital.

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