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    Monkeypox: especialistas convocados pela OMS dão novos nomes às variantes do vírus

    Grupos virais que recebiam o nome das localidades em que o vírus circulava serão nomeados com algarismos romanos; novos nomes da doença e do vírus permanecem em avaliação

    Josué Damacena/IOC/Fiocruz

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    Um ​​grupo de especialistas globais convocado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entrou em consenso para a utilização de novos nomes para as variantes do vírus Monkeypox, causador da varíola dos macacos.

    Os especialistas concordaram em nomear os clados, ou grupos virais, usando algarismos romanos. Um novo nome da doença e para o vírus, no entanto, permanece em avaliação. Para decidir sobre a nomenclatura do agravo, a OMS realiza uma consulta aberta, que recebe sugestões online.

    O vírus foi nomeado como “Monkeypox” após a primeira descoberta em 1958, antes da vigência de novas práticas de nomeação de doenças e vírus. As principais variantes foram identificadas pelas regiões geográficas onde a circulação era conhecida na África Ocidental e o na Bacia do Congo (África Central).

    Segundo a OMS, a medida é o primeiro passo de um esforço contínuo pelo alinhamento da comunidade científica em torno de nomes para o vírus e para a doença, segundo as práticas atuais.

    As orientações vigentes dizem que vírus recém-identificados, doenças relacionadas e variantes virais devem receber nomes com o objetivo de evitar ofender qualquer grupo cultural, social, nacional, regional, profissional ou étnico e minimizar qualquer impacto negativo no comércio, viagens, turismo ou bem-estar animal.

    Nomeação de doenças e de vírus tem processos distintos

    A atribuição de novos nomes a doenças existentes é responsabilidade da OMS de acordo com a Classificação Internacional de Doenças e a Família de Classificações Internacionais Relacionadas à Saúde da OMS.

    Já a nomeação das espécies de vírus é de responsabilidade do Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, em inglês), que tem um processo em andamento para o nome oficial do vírus da varíola dos macacos.

    As variantes e os grupos virais (clados) normalmente é resultado de debate entre os cientistas. A fim de acelerar o acordo no contexto do atual surto, a OMS convocou uma reunião no dia 8 de agosto para permitir que virologistas e especialistas em saúde pública chegassem a um consenso sobre a nova terminologia.

    Especialistas em virologia da varíola, biologia evolutiva e representantes de institutos de pesquisa de todo o mundo revisaram a filogenia e a nomenclatura de variantes ou clados conhecidos e novos do vírus da varíola dos macacos.

    Eles discutiram as características e a evolução das variantes, suas aparentes diferenças filogenéticas e clínicas e possíveis consequências para a saúde pública e futuras pesquisas virológicas e evolutivas.

    De acordo com a OMS, o grupo chegou a um consenso sobre uma nova nomenclatura para os grupos de vírus que está de acordo com as melhores práticas. Eles concordaram em como os clados de vírus deveriam ser registrados e classificados em sites de bancos de dados de sequências genômicas.

    Mudanças

    O consenso foi alcançado para agora se referir ao antigo clado da “Bacia do Congo (África Central)” como “Clade um (I)” e o antigo clado da “África Ocidental” como “Clade dois (II)”. Além disso, foi acordado que o “Clade II” consiste em dois subclados.

    Com a mudança, a estrutura de nomenclatura adequada será representada por um numeral romano para o clado e um caractere alfanumérico minúsculo para os subclados.

    Assim, a nova convenção de nomenclatura compreende “Clade I”, “Clade IIa” e “Clade IIb”, com o último referindo-se principalmente ao grupo de variantes que circulam amplamente no surto global de 2022.

    Segundo a OMS, a nomeação das linhagens será proposta pelos cientistas à medida que o surto evoluir e os especialistas serão convocados novamente conforme necessário.

    Os novos nomes para os grupos virais devem entrar em vigor imediatamente. O estudo das alterações nos nomes da doença e do vírus permanece em andamento.