No Pará, 42% dos infectados são profissionais da saúde

Em dez dias, sete médicos morreram pela doença. A falta de equipamentos de EPIs e o trabalho contínuo de profissionais estão entre os principais problemas

Profissionais da área da saúde em Santarém. Pará, 22 de abril de 2020.
Profissionais da área da saúde em Santarém. Pará, 22 de abril de 2020. Foto: AD Produções/Divulgação

Da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

Os profissionais da área da saúde representam quase metade dos infectados pelo novo coronavírus no Estado do Pará: 42% dos casos confirmados, segundo o Sindicato dos Médicos (Sindmepa).

Em dez dias, sete médicos morreram pela doença. A falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), contratações precárias e o trabalho contínuo de profissionais do grupo de risco estão entre as principais reclamações feitas pelos profissionais. 

A técnica de enfermagem Rosana Rocha, que atua no Hospital e Pronto-Socorro Mário Pinotti, afirma que a falta de equipamentos foi um fator decisivo para a contaminação dela e de outros servidores. “Somos 1.200 trabalhadores. As pessoas faziam fila no almoxarifado para pegar equipamento, e não dava para todo mundo. Um nível de precarização muito grande” disse. Rosana, de 53 anos, está afastada do trabalho com sintomas da COVID-19 desde segunda-feira (27).

Leia também:

Pfizer diz que vacina para COVID-19 pode estar pronta no final de 2020

Helder Barbalho pede que Ministério da Saúde envie respiradores ao Pará

Pará contrata 86 médicos cubanos para auxiliar no combate à COVID-19

Grupo de Risco

Os servidores da saúde de Belém, que pertencem ao grupo de risco, continuam trabalhando. Mayck Gaia é filho de uma técnica em enfermagem com mais de 60 anos, hipertensa, diabética e cardiopata que está afastada por ter sido infectada pelo coronavírus.

“No dia 18 de março, houve o decreto de que todos deveriam se afastar, mas no dia 26 veio decisão para que todos os servidores da área da saúde e segurança voltassem. Ela acabou cedendo às pressões. No dia 9, ela já saiu do plantão se sentindo mal.” Ele não revela o nome da mãe, por medo de represálias.

Sobre o retorno ao trabalho de servidores do grupo de risco, a Secretaria de Saúde de Belém não negou e se limitou a responder que “cumpre decreto municipal”.

Com Estadão Conteúdo

Mais Recentes da CNN