Número de médicos da família cresceu 30% no Brasil nos últimos dois anos

De acordo com a SBMFC, cerca de 80% dos problemas de saúde da população podem ser resolvidos no atendimento primário, evitando exames e hospitalizações

Débora Freitas e Bruno Laforé, da CNN, em São Paulo

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De acordo com um levantamento do Conselho Federal de Medicina, há 7.149 médicos especializados em medicina da família e comunidade no Brasil. O número de especialistas na área cresceu 30% em dois anos e 171% na última década.

A tendência apontada pela Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade é que este número aumente ainda mais nos próximos anos, acompanhado da demanda da rede particular de saúde por estes profissionais. 

 

A presidente da Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade (SBMFC), Zeliete Zambon, explica que essa especialidade tem ganhado espaço, principalmente na rede privada brasileira: “Antes, as operadoras de saúde tinham a atenção voltada a diagnosticar e tratar doenças. Agora, os planos começaram a entender que uma medicina preventiva, voltada para a saúde e o bem estar do cliente, pode inclusive diminuir os gastos, a sinistralidade”.

Ainda de acordo com a SBMFC, cerca de 80% dos problemas de saúde da população podem ser resolvidos no atendimento primário, evitando exames e hospitalizações desnecessárias.

Uma das empresas que já apostam nessa área é o Qsaúde, que oferece planos de saúde individuais e nasceu focado no cuidado personalizado de seus clientes.

“Vimos a necessidade de ter como um dos nossos pilares a medicina de família. Com ela, poderemos oferecer uma gestão integral, personalizada e focada na saúde, utilizando os recursos de forma inteligente, sustentável e eficaz. Hoje, 60% dos gastos da saúde são co doenças crônicas descompensadas. A gente observa nos nossos clientes um controle muito grande das doenças crônicas, graças à ação dos médicos da família”, diz Anderson Nascimento, vice-presidente executivo do Qsaúde.

Os usuários do plano realizam o atendimento nas clínicas médicas do Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo.

Diante desses benefícios, grandes hospitais passaram a investir também na formação de médicos da família, como explica o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner. “Cabe a uma organização como a nossa dar o devido valor a esse tipo de profissional, a remuneração adequada e a formação cada vez mais sólida e completa para isso”, finaliza ele. 

Há cerca de dois meses, a cuidadora de idosos Raquel Pereira de Oliveira levou a filha pela primeira vez a uma consulta com um especialista em Medicina da Família e da Comunidade na rede privada de São Paulo. Isabelly Pereira de Oliveira, de sete anos, já tinha passado por médicos de outras especialidades e estranhou o modelo de consulta.

“A médica ficou uma hora e meia conversando com a gente”, comenta Raquel. Depois da avaliação, a menina foi encaminhada a médicos de especialidades que atendem estritamente suas necessidades e, mesmo depois do retorno com um nutricionista e um endocrinologista, precisou passar novamente pelo médico da família para acompanhamento. 

A medicina da família e comunidade é uma especialidade voltada à atenção primária dos cidadãos. Os profissionais dessa área prestam atendimento médico geral e integral à população.

O médico da família é habilitado para atender pessoas desde a infância até a velhice e busca conduzir a consulta de forma a compreender o meio em que a pessoa vive. Ao tomar decisões, este profissional considera a saúde mental, os hábitos e a qualidade de vida do paciente.

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