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    OMS lança guia voltado à redução de riscos biológicos em pesquisas científicas

    Guia aborda os desafios de décadas de prevenção ao uso indevido acidental e deliberado da biologia e outras ciências da vida

    Conteúdo inédito aborda uma estrutura global sobre o desenvolvimento de planejamentos e abordagens nacionais para reduzir riscos biológicos
    Conteúdo inédito aborda uma estrutura global sobre o desenvolvimento de planejamentos e abordagens nacionais para reduzir riscos biológicos Divulgação/Opas

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, nesta terça-feira (13), uma nova estrutura de orientação global para o uso responsável das ciências da vida. O documento apela aos líderes pela mitigação de riscos biológicos e governar com segurança a pesquisa de dupla utilização, que tem um benefício claro, mas pode ser mal utilizada para prejudicar os seres humanos, outros animais, a agricultura e o ambiente.

    O conteúdo inédito aborda uma estrutura global, técnica e normativa para informar o desenvolvimento de planejamentos e abordagens nacionais para reduzir riscos biológicos. De acordo com a OMS, o material visa desbloquear com segurança a grande promessa de maneiras novas e aprimoradas de melhorar a saúde global oferecida pelas ciências da vida e tecnologias relacionadas.

    O guia aborda os desafios de décadas de prevenção ao uso indevido acidental e deliberado da biologia e de outras ciências da vida, bem como como gerenciar a governança e a supervisão para acelerar e disseminar a inovação, ao mesmo tempo em que mitiga os impactos negativos.

    De acordo com a OMS, as ciências da vida estão cada vez mais se cruzando com outros campos, como química, inteligência artificial e nanotecnologia, o que muda o cenário de riscos, com aquelas que abrangem vários setores e disciplinas mais propensas a serem perdidas.

    “As ciências da vida e as tecnologias oferecem muitas oportunidades para melhorar nossa saúde, nossas sociedades e nosso meio ambiente”, disse Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS em comunicado. “No entanto, os desenvolvimentos e avanços nas ciências da vida e tecnologias associadas podem representar riscos causados por acidentes durante experimentos, uso indevido inadvertido e deliberado”, completa.

    Examinando como gerenciar o ritmo crescente dos avanços nas ciências da vida, a OMS descreve a necessidade de mecanismos de governança antecipados e responsivos, incluindo abordagens prospectivas, que são formas participativas e multidisciplinares de explorar tendências, mudanças emergentes, impactos sistêmicos e alternativas futuros.

    Para ajudar a gerenciar os riscos, o guia aborda questões como prevenção de desinformação, bem como gerenciamento de grandes conjuntos de dados de saúde. Outros tópicos incluem: aumentar a conscientização e as capacidades para o gerenciamento de risco biológico, enfrentar os desafios específicos da pesquisa sobre doenças infecciosas e prevenir o uso indevido de pesquisas e tecnologias por meio da colaboração entre diferentes setores.

    Desenvolvimento

    O conteúdo foi elaborado a partir de três pilares principais: biossegurança, biossegurança laboratorial e supervisão da pesquisa de uso duplo. Segundo a OMS, o conteúdo pode ser adaptado de acordo com o contexto de cada país em harmonia com as necessidades e perspectivas locais.

    “Os ministérios da Saúde são chamados a trabalhar com outros ministérios, incluindo Ciência e Tecnologia, Educação, Agricultura, Meio Ambiente e Defesa, juntamente com outras partes interessadas, para avaliar os riscos apresentados pelas ciências da vida local e nacionalmente e identificar medidas apropriadas de mitigação de risco para fortalecer a governança para bioriscos e pesquisa de uso duplo”, diz a OMS.

    O documento visa aumentar a conscientização sobre a importância da gestão de risco biológico no contexto da abordagem de Saúde Única, “One Health”, para otimizar a saúde de pessoas, animais e ecossistemas.

    No contexto de recursos limitados, especialmente em países de média e baixa renda, a OMS cobra o fornecimento a esses países de apoio técnico e financeiro e capacitação de cientistas.

    Sobre as ciências da vida

    As ciências da vida incluem todas as ciências que lidam com organismos vivos, incluindo humanos, animais não humanos, plantas e agricultura, e o meio ambiente, ou produtos de organismos vivos ou que incorporam componentes derivados direta ou sinteticamente de organismos vivos.

    As ciências da vida incluem mas não se limitam a biologia, biotecnologia, genômica, proteômica, bioinformática, pesquisa e tecnologias farmacêuticas e biomédicas.