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    OMS: serviços de higiene precários afetam metade das unidades de saúde do mundo

    Cerca de 3,85 bilhões de pessoas que usam os serviços estão em maior risco de infecção, incluindo 688 milhões de pessoas que recebem atendimento em locais sem nenhum serviço de higiene, aponta relatório

    Profissional de saúde faz higienização das mãos
    Profissional de saúde faz higienização das mãos FatCamera/Getty Images

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    A falta de serviços básicos de higiene, como água e sabão ou álcool gel, afeta metade das unidades de saúde em todo o mundo. O problema atinge locais onde os pacientes recebem atendimento e os banheiros das instalações. Os dados são de um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta terça-feira (30).

    De acordo com o documento, cerca de 3,85 bilhões de pessoas que usam essas unidades estão em maior risco de infecção, incluindo 688 milhões de pessoas que recebem atendimento em locais sem nenhum serviço de higiene.

    “As instalações e práticas de higiene em ambientes de saúde não são negociáveis. A sua melhoria é essencial para a recuperação, prevenção e preparação de pandemias. A higiene nas instalações de saúde não pode ser garantida sem aumentar os investimentos em medidas básicas, que incluem água potável, banheiros limpos e resíduos de saúde gerenciados com segurança”, disse Maria Neira, diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS.

    A OMS defende a intensificação de esforços pelos países na implementação do compromisso firmado na Assembleia Mundial da Saúde de 2019, que inclui o fortalecimento dos serviços de água, saneamento e higiene (WASH em inglês) nas unidades de saúde.

    O novo relatório estabelece pela primeira vez um panorama global sobre serviços de higiene, avaliando o acesso nos pontos de atendimento bem como em banheiros.

    Ao menos 40 países relataram os pontos críticos dos serviços em seus hospitais e outros centros de saúde, representando 35% da população mundial. O levantamento amplia os dados de estudos anteriores, que consideraram 21 países em 2020 e apenas 14 em 2019.

    Cenário alarmante

    A estimativa global revela um quadro mais claro e alarmante do estado de higiene nas unidades de saúde.

    Embora 68% dos estabelecimentos tivessem instalações de higiene nos pontos de atendimento e 65% tivessem equipamentos para lavagem das mãos com água e sabão nos banheiros, apenas 51% tinham ambos e, portanto, atendiam aos critérios para serviços básicos de higiene estabelecidos pela OMS. Além disso, 1 em cada 11 estabelecimentos de saúde em todo o mundo não têm nenhum.

    “Se os prestadores de serviços de saúde não têm acesso a um serviço de higiene, os pacientes não têm uma unidade de saúde”, disse Kelly Ann Naylor, diretora da área de Higiene, Clima, Meio Ambiente, Energia e Redução de Risco de Desastres do Unicef. “Hospitais e clínicas sem água potável e serviços básicos de higiene e saneamento são uma potencial armadilha mortal para grávidas, recém-nascidos e crianças. Todos os anos, cerca de 670 mil recém-nascidos perdem a vida para a sepse. Isso é um absurdo – ainda mais porque essas mortes são evitáveis”.

    O relatório aponta que as mãos e ambientes contaminados desempenham um papel significativo na transmissão de agentes causadores de doenças nas unidades de saúde e na disseminação da resistência antimicrobiana.

    Segundo a OMS, intervenções para aumentar o acesso à lavagem das mãos com água e sabão e limpeza ambiental são cruciais para a oferta de assistência de qualidade, principalmente em relação aos procedimentos seguros de partos.

    Higienização das mãos contribui para a prevenção de doenças / Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    Desigualdade entre os países

    O documento indica que a distribuição de instalações de higiene e saneamento é desigual entre as diferentes regiões e grupos de renda.

    Unidades na África Subsaariana apresentam índices abaixo do ideal em relação aos serviços de higiene. Enquanto três quartos (73%) dos estabelecimentos de saúde na região em geral têm desinfetantes para as mãos à base de álcool ou água e sabão nos pontos de atendimento, apenas um terço (37%) tem instalações para lavagem das mãos com água e sabão nos banheiros. A maior parte dos hospitais, um índice de 87%, conta com pontos para higienização, em comparação com 68% das outras instalações de saúde.

    Nos países menos desenvolvidos, apenas 53% dos estabelecimentos de saúde têm acesso local a uma fonte de água segura. O índice global é de 78%, com hospitais (88%) se saindo melhor do que instalações de saúde menores (77%), e o número para o Leste e Sudeste da Ásia é de 90%.

    Globalmente, cerca de 3% dos estabelecimentos de saúde nas áreas urbanas e 11% nas áreas rurais não tinham serviço de água, de acordo com o levantamento.

    Dos países com dados disponíveis, 1 em cada 10 estabelecimentos de saúde não tinha serviço de saneamento. A proporção de unidades de saúde sem saneamento variou de 3% na América Latina e Caribe e no Leste e Sudeste da Ásia a 22% na África Subsaariana. Nos países menos desenvolvidos, apenas 1 em cada 5 (21%) tinha serviços de saneamento básico em unidades de saúde.

    Os dados revelam ainda que muitas unidades de saúde sofrem com a escassez de limpeza básica dos ambientes, além da separação e descarte seguros dos resíduos.