Pacientes autoimunes podem fazer tratamentos estéticos? Dr. Kalil explica
No CNN Sinais Vitais, especialistas alertam que procedimentos estéticos exigem avaliação individual e acompanhamento médico em pacientes com doenças autoimunes
Pacientes com doenças autoimunes podem realizar procedimentos estéticos, mas a resposta não é universal. A avaliação deve ser feita caso a caso, levando em consideração o tipo de doença, o estado clínico do paciente e o tratamento em curso, incluindo o uso de medicamentos imunossupressores, conforme explicou a dermatologista Cristina Abdalla, do Hospital Sírio-Libanês.
A questão foi abordada por especialistas no programa CNN Sinais Vitais, com o Dr. Roberto Kalil, que explicaram os riscos envolvidos e os avanços no tratamento das doenças autoimunes nos últimos anos.
Riscos dos procedimentos estéticos em pacientes autoimunes
Segundo Cristina, determinados procedimentos estéticos podem desencadear respostas indesejadas no organismo de pacientes com doenças autoimunes. "As substâncias preenchedoras podem, o trauma, aquilo pode suscitar uma resposta imunológica", afirmou. Cirurgias e o uso de lasers também requerem atenção especial, pois certas doenças são desencadeadas pelo trauma tecidual.
O tipo de luz utilizado em procedimentos também representa um fator de risco em doenças fotossensíveis. Cristina ressaltou que é fundamental estudar cada caso individualmente e, sempre que possível, trabalhar em conjunto com o reumatologista para garantir a segurança do paciente.
Ela destacou ainda que muitas doenças autoimunes deixam sequelas visíveis, como cicatrizes e áreas mais aprofundadas da pele, e que colaborar para a melhor qualidade de vida do paciente deve ser uma prioridade.
Revolução no tratamento com medicamentos imunobiológicos
Outro especialista presente no programa explicou que o tratamento das doenças autoimunes passou por uma verdadeira revolução nas últimas duas décadas. "Os imunobiológicos começaram há mais ou menos 20 anos", disse a reumatologista Ana Luisa Garcia Calich, do Hospital Sírio-Libanês.
Diferentemente dos medicamentos tradicionais, que atuavam de forma ampla sobre o sistema imune, os imunobiológicos são produzidos com biotecnologia e agem em pontos muito específicos do sistema imunológico.
Como exemplo, foi citado o caso da artrite reumatoide, que altera uma proteína chamada TNF. Para essa condição, existe um medicamento biológico desenvolvido especificamente para agir nessa proteína. Essa precisão resulta em muito menos efeitos colaterais para os pacientes.
"A gente consegue remissões, pacientes sem atividade de doença, e que vão ter a vida normal", destacou o especialista.
Acesso pelo SUS e desafios para doenças raras
Um ponto relevante destacado foi que a grande maioria desses medicamentos está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), não sendo exclusividade da rede privada. No entanto, o acesso ainda não é igualitário para todas as condições.
O rituximab, por exemplo, está disponível para artrite reumatoide, mas não para doenças mais raras, como miosite e esclerose sistêmica.
O especialista mencionou que a Sociedade Brasileira de Reumatologia está engajada na luta para que essas doenças mais raras não sejam esquecidas e para que esses medicamentos sejam incorporados também para esses pacientes.
"A gente está nessa luta para essas doenças mais raras não serem esquecidas e a gente incorporar esses remédios para as doenças também mais raras", concluiu Ana Luisa.



