Pandemia afeta sono dos brasileiros; veja quantas horas você deve dormir por dia

No quadro Correspondente Médico, neurocirurgião Fernando Gomes explica as razões de mais da metade dos brasileiros estarem enfrentando a insônia

Raphael Florêncio, da CNN, em São Paulo

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Na edição desta segunda-feira (7) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes detalha quantas horas de sono por noite é recomendada para cada faixa etária e explica porque a pandemia de Covid-19 afeta o sono dos brasileiros.

Um estudo do Instituto do Sono analisou cerca de 1.600 pessoas e demonstrou que mais de 50% desta amostra passou a dormir mal e menos horas desde o início do novo coronavírus no país.

Segundo especialistas, adolescentes de 14 a 17 anos devem descansar por oito a dez horas; jovens adultos, até os 25, de sete a nove horas; adultos, grupo que compõe pessoas de 26 a 64 anos, também devem dormir pelo período de sete a nove horas, sendo que idosos, de 65 ou mais, de sete a oito horas já bastam.

O neurocirurgião explica que existe uma relação do sono com a necessidade metabólica e com a demanda mental. Esse é o motivo pelo qual um bebê recém-nascido dorme boa parte do dia. “De fato isso acontece porque o cérebro e o corpo físico estão se desenvolvendo e a gente sabe que durante o período de sono reparador muitas coisas acontecem. O equilíbrio eletroquímico do cérebro é estabelecido, o sistema imunológico é fortalecido, a pressão arterial é controlada, o próprio nível de glicose.”

Ao passo que, segundo o médico, conforme a vida avança, a necessidade de horas de sono tende a reduzir. 

Horas de sono por faixa etária (07-06-2021)
Horas de sono por faixa etária (07-06-2021)
Foto: Reprodução / CNN

No entanto, a pandemia de Covid-19 e as mudanças abruptas impostas pela crise nas rotinas dos indivíduos, trouxeram consequências para o sono de qualidade.

“Se a gente coloca a realidade dos fatos, o estresse que a pandemia trouxe para nós, a mudança do próprio hábito de vida, de ficar mais em casa, de trabalhar dentro de casa, praticar menos atividade física, se alimentar de uma forma diferente, tudo isso reflete no período da noite e acaba refletindo na quantidade de tempo dormido”, diz o médico.

Ainda segundo Gomes, trocar o dia pela noite tem sido um relato corriqueiro entre alguns brasileiros. Ele explica que efeitos acontece no cérebro para que as pessoas invertam seus horários.

“Isso é comum acontecer num momento em que a sociedade perdeu alguns marcos, uma vez que as pessoas estão saindo menos e têm menos possibilidade de atividade em conjunto. Então, naturalmente, o próprio ritmo circadiano, que é ditado pelo nosso hipotálamo, foi ficando mais à vontade com toda essa liberdade.”

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