Mortes de grávidas por Covid sobem, e pesquisadores reforçam vacina para grupo

São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia e Amazonas liberaram a vacinação para gestantes sem comorbidades

Vacina contra Covid-19 é aplicada em mulher grávida no estado de São Paulo
Vacina contra Covid-19 é aplicada em mulher grávida no estado de São Paulo Foto: Divulgação/Governo de SP (17.mai.2021)

Ana Lícia Soares e Mylena Guedes, da CNN, no Rio de Janeiro

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Desde o início da pandemia, o Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 identificou que das 11.390 gestantes que tiveram Covid-19 no Brasil, 950 morreram — 667 delas em 2021. Com isso, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda a vacinação de todas as gestantes e puérperas com os imunizantes aprovados pela Agência Nacional de Saúde (Anvisa) para uso emergencial. 

“A gente tem batalhado para essa inclusão e estamos tendo sucesso. Vários estados já aderiram. A cidade do Rio de Janeiro liberou na semana passada para todas acima dos 18 anos, sem comorbidade. O estado também liberou a imunização, contudo, as mulheres precisam apresentar autorização médica, o que não concordamos muito”, afirma o obstetra e pesquisador Marcos Nakamura, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo ele, o pedido médico para esse grupo limita o acesso à vacina. 

 

“Algumas mulheres podem ter dificuldade de marcar uma consulta em pouco tempo para receber a autorização do profissional. Com isso, a vacinação fica atrasada e é restringida para parte delas”, explica.  

Os estados de São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rondônia e Amazonas também liberaram a vacinação para gestantes sem comorbidade.  

Questionado pela CNN sobre a prioridade de aplicação das doses em lactantes, Nakamura diz que o caso é diferente das puérperas, que estão em período de até 45 dias pós-parto. “Por enquanto, o estudo que se tem é que o período de puerpério é um fator de risco para evolução de gravidade e óbito, então a decisão de vacinar essas pessoas é acertada. No entanto, ainda não há dados que comprovem que as lactantes estejam em maior risco que a população em geral, acredito que seja por isso que elas não estejam incluídas” 

O pesquisador disse, ainda, que uma vantagem em vacinar as lactantes seria a possível passagem de anticorpos ao bebê pelo leite materno. Contudo, o obstetra ressalta que essa hipótese ainda não está comprovada cientificamente.  

No município do Rio de Janeiro, o número de mortes entre grávidas e puérperas, com ou sem comorbidades, também disparou e já ultrapassa todo o ano de 2021. Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) a pedido da CNN apontam que 38 grávidas ou puérperas morreram de Covid-19 em todo o ano de 2020. Já nos primeiros seis meses de 2021, foram registradas 39 mortes.  

A orientação do Ministério de Saúde é vacinar contra a Covid-19 apenas grávidas e puérperas com comorbidades, mas devido ao aumento de casos da capital fluminense, o Comitê Científico da Prefeitura para enfrentamento da pandemia recomendou mudança no calendário municipal. A decisão se baseou nas recomendações já adotadas em outros países, como Estado Unidos, Reino Unido e Israel.  

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, acatou o pedido. Na capital fluminense, grávidas e puérperas, com ou sem comorbidades, estão sendo vacinadas com doses da CoronaVac ou da Pfizer desde a semana passada. O grupo pode procurar os postos qualquer dia da semana.  

“A proteção se inicia em três a quatro semanas após a primeira dose. Então, o impacto será sentido em um a dois meses”, explica o infectologista Alberto Chebabo, membro do Comitê Científico da Prefeitura do Rio.

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