Plasma de quem já teve Covid-19 é usado em pacientes no início da doença

Estudo identificou queda na evolução para a forma grave em quem recebeu os anticorpos

Tiago Américo

Da CNN, em São Paulo

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Um tratamento desenvolvido a partir do plasma de pessoas que tiveram a Covid-19 promete o dobro de chances de impedir a forma grave da doença.

Segundo um artigo da revista científica “New England”, 160 pessoas com mais de 60 anos, contaminadas com o vírus, foram analisadas em um estudo. Dos que receberam plasma sanguíneo, apenas 16% tiveram doença respiratória de forma grave, enquanto nos doentes que receberam placebo, o risco de desenvolver a doença de forma mais grave quase dobrou: 31%.

O mesmo estudo também identificou que a transfusão de plasma sanguíneo deve ser feita nos pacientes internados nas primeiras 72 horas após o resultado positivo para a doença.

A coleta das bolsas contendo plasma sanguíneo é feita na Fundação Pró-Sangue, em São Paulo. Em média, o processo de doação dura de uma a duas horas.

É fundamental que a pessoa já tenha sido contaminada pela Covid-19 anteriormente, pelo menos 30 dias antes da doação.

Plasma retirado de pacientes que tiveram Covid-19 (29.mar.2021)
Plasma retirado de pacientes que tiveram Covid-19 (29.mar.2021)
Foto: Reprodução/CNN

“A gente colhe sangue dos indivíduos que se curaram da infecção, separa os anticorpos do plasma e administra aos que estão começando a ter infecção, explica o médico Dante Langhi, presidente da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, à CNN.

As regras para doar o plasma são as mesmas seguidas para doar o sangue: ter boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 quilos. O doador também deve evitar alimentação gordurosa antes da doação e apresentar documento original com foto. 

Os voluntários devem ser, prioritariamente, do sexo masculino porque, durante a gestação, a mulher libera anticorpos na corrente sanguínea que podem causar uma reação grave. É preciso fazer um pré-cadastro no site http://prosangue.sp.gov.br.

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